Atores exaltam Manoel Carlos, autor que transformou emoções em personagens Reprodução/TV Globo Um autor vive de escolher palavras para dar voz a seus personagens. Mas, desta vez, foram os personagens (e os atores) que escolheram as palavras para se despedir de Manoel Carlos. Para a atriz Maitê Proença, Maneco não era apenas um grande contador de histórias. “Ele falava de relacionamentos humanos, da subjetividade, daquilo que acontece dentro e que as pessoas às vezes não sabem expressar. Ele sabia colocar isso na boca do personagem”, afirmou. Segundo ela, as novelas reuniam tudo o que um bom folhetim precisa ter, mas com protagonistas complexas, cheias de defeitos e virtudes. “Ainda assim, eram heroínas, como somos nós.” Lilia Cabral também destacou a forma como Manoel Carlos escrevia para as atrizes. Embora tenha sido uma de suas grandes vilãs, ela lembra que o autor nunca conseguiu lhe dar uma Helena. “Ele escrevia para atrizes como ninguém. Para a minha vida, ele foi fundamental, porque deixou de me enxergar apenas como uma atriz divertida e passou a me ver como uma atriz densa, capaz de dar tristeza e profundidade aos personagens”, disse. A atriz afirmou ainda que as histórias criadas por Maneco ajudaram o público a refletir sobre sentimentos e comportamentos. “Quantas pessoas não se identificaram, quantas não melhoraram o pensamento, a forma de agir, o coração? Ele colocou problemáticas em cena que viraram discussão em família, em festas, em qualquer lugar. A gente perde um grande autor, um dos maiores que tivemos no Brasil. Essa história vai ficar para sempre.” O valor da obra de Manoel Carlos também estava na capacidade de criar personagens muito parecidos com aqueles vistos no cotidiano. O ator Dan Stulbach, que viveu um desses papéis, afirmou que trabalhar com o autor mudou a sua vida. Autor que consagrou o bairro do Leblon como cenário recorrente e que tantas vezes fez o Brasil parar diante da televisão, Manoel Carlos escreveu, nas páginas da própria vida, uma grande história de amor pela dramaturgia.