O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, instou os Estados Unidos a "pararem com a chantagem" que visa obter o controle direto da Groenlândia, em entrevista publicada neste sábado por diversos veículos de imprensa europeus. Barrot afirmou que "não acredita" em uma intervenção militar dos EUA para tomar a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, como sugeriu o presidente Donald Trump, acrescentando que "nada a justificaria". Construir, abrigar e operar: acordo da Guerra Fria já garante ampla presença militar dos EUA na Groenlândia 'Não queremos ser americanos': dizem partidos da Groenlândia após novas declarações de Trump "A Groenlândia é um território europeu, sob proteção da OTAN [...]. Eu acrescentaria que os europeus têm meios muito poderosos para defender seus interesses. Essa chantagem deve parar", acrescentou Barrot na entrevista publicada pelo Ouest-France, pelo veículo de imprensa alemão Funke e pelo polonês Gazeta Wyborcza. Trump disse na sexta-feira que a Rússia ou a China estão esperando para "ocupar a Groenlândia", dizendo que "é isso que farão se não fizermos nada". Durante uma reunião com executivos da indústria petrolífera focada na exploração de petróleo na Venezuela, Trump advertiu que cumpriria seu objetivo na Groenlândia "por bem ou por mal". Essa declaração teve resposta dos líderes dos cinco partidos no Parlamento da Groenlândia naquela mesma sexta-feira à noite: "Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses". Colônia dinamarquesa até 1953, a Groenlândia, rica em recursos minerais e transformada em uma rota marítima estratégica pelo derretimento do gelo ártico, conquistou sua autonomia 26 anos depois. Desde 1951, existe um acordo de defesa entre os Estados Unidos e a Dinamarca, que praticamente concede carta branca às forças americanas em território groenlandês, mediante notificação prévia às autoridades locais.