Comissária da Emirates viraliza no TikTok ao revelar quanto ganha e benefícios que recebe Recentemente, a comissária de bordo argentina Victoria Capano, de 28 anos, viralizou nas redes sociais ao falar sobre salários, benefícios e requisitos de trabalho na Emirates, uma das maiores companhias aéreas do mundo. A carreira se destaca pelos salários atrativos e pelos benefícios oferecidos, como moradia e transporte. No Brasil, porém, quem deseja atuar como comissário de bordo precisa atender a uma série de requisitos. (veja abaixo) Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), esses profissionais têm como “missão principal cuidar da segurança, tranquilidade e conforto dos passageiros do transporte aéreo, bem como do restante da tripulação”. O g1 procurou as principais companhias aéreas do Brasil (Azul, Gol e Latam), além do sindicato da categoria e da Anac, para responder às seguintes perguntas: Quais são os requisitos para se tornar comissário de bordo? É preciso fazer curso específico? Qual duração e valor? Qual o salário inicial e benefícios? Como é a rotina de trabalho? Quais são os principais desafios da profissão? Quais as oportunidades de crescimento dentro da carreira? Conselhos para quem quer seguir na carreira 1. Quais são os requisitos para se tornar comissário de bordo? Ter no mínimo 18 anos de idade; Ter ensino médio completo (ou equivalente); Estar em dia com as obrigações militares (para homens entre 18 e 45 anos); Estar quite com a Justiça Eleitoral; Ser capaz de ler, escrever, falar e compreender a língua portuguesa; Possuir Certificado Médico Aeronáutico (CMA) de segunda classe, comprovando aptidão física e psicológica para o exercício da função; Ter concluído o treinamento inicial de comissário de voo, em programa aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC); Cumprir pelo menos 5 horas de voo supervisionadas, desempenhando as funções de comissário sob orientação de um instrutor; Ser aprovado em uma avaliação prática, demonstrando conhecimento, habilidades e atitudes necessárias para garantir a segurança e o bom desempenho das atividades a bordo. Desde janeiro de 2024, as regras para a concessão da licença de comissário de voo foram atualizadas. Agora, não é mais obrigatório concluir o curso em uma escola de aviação nem realizar o exame teórico da Anac. Apesar disso, os exames continuam disponíveis para quem quiser realizá-los. A maioria das companhias aéreas ainda considera a formação indispensável nos processos seletivos. De acordo com Salmeron Cardoso, CEO do Centro Educacional da Aviação do Brasil (CEAB), as empresas não contratam candidatos que não tenham passado pelo treinamento teórico e prático. Segundo ele, essa preparação é um requisito básico para quem vai atuar diretamente com a segurança e o atendimento dos passageiros a bordo. Algumas habilidades adicionais podem representar um diferencial importante, segundo o especialista: Inglês ou espanhol: pode ser exigido em alguns processos seletivos, especialmente quando há atendimento a passageiros estrangeiros; Libras (Língua Brasileira de Sinais): tem ganhado destaque e, em alguns recrutamentos, aparece como diferencial valorizado, refletindo um movimento de inclusão e acessibilidade no setor aéreo. “Em algumas seleções, o inglês é eliminatório. Já o domínio de Libras é visto como uma habilidade complementar, que demonstra sensibilidade e preparo para atender todo tipo de passageiro”, explica Salmeron Cardoso. No caso da Latam, por exemplo, é exigida experiência de trabalho em áreas de serviços, especialmente em cargos de atendimento ao cliente ou vendas. Na Gol, o conhecimento intermediário de inglês ou espanhol é requisito para o cargo. Já na Azul, falar outros idiomas é considerado um diferencial, mas não é obrigatório para participar do processo seletivo. 2. É preciso fazer curso específico? Qual é a duração e valor? Apesar de a Anac não exigir mais a conclusão do curso nem a aprovação no exame teórico para a obtenção da licença, muitas companhias aéreas continuam exigindo a formação completa em escola de aviação. Os cursos têm duração de três a cinco meses, e os custos variam entre R$ 2 mil e R$ 7 mil, dependendo da escola e do formato escolhido. A formação prepara o aluno para situações de emergência, com simulações de evacuação, combate a incêndio, sobrevivência na selva e no mar, além de disciplinas como primeiros socorros, meteorologia, regulamentos da aviação civil e atendimento a bordo. Comissário de bordo: veja salário inicial e como funciona carreira no Brasil Divulgação LATAM 3. Qual o salário inicial e benefícios? O salário inicial de um comissário é de R$ 2.694,79, segundo a Convenção Coletiva de Trabalho 2024/2025 do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). Esse valor corresponde ao piso da categoria no início da carreira. Algumas companhias, porém, pagam acima desse patamar: na Latam, o piso é de R$ 2.874,52; na Gol, de R$ 2.806,39; já a Azul não possui acordo específico com valor mínimo definido. Além do salário-base, os comissários recebem adicionais previstos em convenção coletiva, como horas de voo (diurnas e noturnas), compensação orgânica, vale-alimentação, pagamento por sobreaviso e remuneração pelo tempo em solo. As diárias — que cobrem hospedagem e alimentação fora da cidade de residência — não são classificadas como benefício. Trata-se de um item obrigatório no Brasil, com valores definidos em convenções coletivas de trabalho. Segundo o CEO do Centro Educacional da Aviação do Brasil (CEAB), a remuneração total costuma variar entre R$ 4 mil e R$ 6 mil, a depender da empresa, da escala e do tempo de serviço. Entre os benefícios mais comuns estão: Passagens com desconto para o colaborador e familiares; Plano de saúde e odontológico; Seguro de vida; Vale-transporte; Auxílio-creche; Treinamentos periódicos e oportunidades de progressão na carreira. No exterior, companhias como Emirates, Qatar Airways e Etihad Airways oferecem remunerações mais altas, entre US$ 2.500 e US$ 3.500 (cerca de R$ 15 mil a R$ 21 mil), geralmente com moradia, transporte e outros benefícios incluídos. Os processos seletivos, no entanto, costumam ser mais rigorosos e exigem inglês fluente, postura profissional e alta capacidade de comunicação intercultural. 4. Como é a rotina de trabalho? A rotina de trabalho dos comissários de bordo é regulamentada pela Lei nº 13.475/2017 (Lei do Aeronauta) e pelo RBAC-117 da Anac, que estabelecem limites de jornada, descanso e horas de voo para garantir segurança e bem-estar. A legislação define limites mensais de horas de voo, períodos mínimos de descanso e intervalos obrigatórios entre jornadas, que variam conforme o tipo de operação (doméstica ou internacional) e o tempo total de voo. As empresas devem divulgar a escala com, no mínimo, cinco dias de antecedência em relação ao início de cada mês, incluindo voos, treinamentos, deslocamentos e folgas. A lei assegura ao menos 10 folgas mensais de 24 horas consecutivas, das quais pelo menos duas devem ocorrer em um sábado e domingo consecutivos. Pelas normas, o comissário pode cumprir jornadas diárias que variam entre 9 e 18 horas, conforme o tipo de operação (doméstica, internacional ou de revezamento). Os limites de horas de voo variam de acordo com o tipo de aeronave. Por mês e por ano, respectivamente, são: Aviões a jato: até 80 horas mensais e 800 anuais; Aviões turboélices: até 85 horas mensais e 850 anuais; Aviões convencionais: até 100 horas mensais e 960 anuais; Helicópteros: até 90 horas mensais e 930 anuais; Quando o comissário atua em mais de um tipo de aeronave, prevalece sempre o limite mais baixo. Segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas, as restrições previstas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da aviação regular garantem que os profissionais mantenham condições físicas e mentais adequadas para operar com segurança. O regulamento também permite que empresas solicitem ajustes nesses limites, desde que previstos no manual do operador, aprovados previamente pela ANAC e considerados seguros para a operação. A legislação reforça que alterações só podem ser aplicadas mediante acordo ou convenção coletiva, por se tratar de questões internas entre operadores e tripulantes. Na prática, o comissário costuma trabalhar em seis ciclos de voo ao longo do mês, retornando à base operacional ao fim de cada período e respeitando as 10 folgas mensais previstas em lei. “Esses parâmetros são baseados em estudos de fadiga humana, garantindo que o profissional mantenha condições físicas e mentais adequadas para o exercício seguro de suas funções a bordo”, explica o CEO do Centro Educacional da Aviação do Brasil (CEAB). 5. Quais são os principais desafios da profissão? Ser comissário de bordo vai muito além do atendimento aos passageiros e do glamour das viagens. A profissão exige preparo técnico, responsabilidade e capacidade para lidar com situações complexas. Entre os principais desafios estão a rotina intensa de voos, os horários irregulares, o afastamento da família e a necessidade de manter a cordialidade mesmo sob pressão. Além do atendimento, os comissários são responsáveis pela segurança a bordo e precisam estar preparados para agir rapidamente em casos de emergência médica, turbulência, princípio de incêndio ou comportamentos indisciplinados. “Os comissários passam por treinamentos constantes de segurança e primeiros socorros e precisam estar prontos para tomar decisões em segundos”, explica Elisabete Antunes, diretora dos comissários de bordo da Azul. Segundo ela, o trabalho exige equilíbrio emocional, empatia e compromisso com a segurança e o bem-estar dos passageiros. Por outro lado, Elisabete destaca que a profissão também oferece recompensas únicas. “Conhecer novas culturas, desenvolver habilidades interpessoais e representar a companhia diante dos clientes são aspectos que tornam essa carreira especial, sobretudo para quem tem vocação para servir e gosta de lidar com pessoas em um ambiente dinâmico e multicultural”, afirma. “É muito importante ser atencioso, ter foco na segurança e disponibilidade para trabalhar em horários altamente rotativos”, completa Diogo Lotito de Carvalho, gerente-sênior de Serviço a Bordo da LATAM Brasil. 6. Quais as oportunidades de crescimento dentro da carreira? As oportunidades de crescimento na carreira de comissário vão muito além das funções dentro da aeronave. A progressão profissional depende de qualificação constante, desenvolvimento de liderança e busca por novas oportunidades dentro das companhias aéreas. Após o início como comissário auxiliar, o profissional pode progredir para funções como Chefe de Cabine, Instrutor e Examinador Credenciado – neste último caso, é necessário ter formação específica e aprovação da ANAC. Essa evolução pode ocorrer tanto de forma vertical, assumindo posições de liderança dentro da cabine, quanto horizontal, com a possibilidade de atuar em áreas correlatas da aviação, como operações em solo ou segurança. O crescimento pode ser impulsionado pelo treinamento contínuo, pelo desenvolvimento de habilidades de gestão de equipes e pela experiência adquirida em diferentes tipos de operação, incluindo rotas internacionais. Ao investir no aprimoramento técnico e comportamental, o comissário fortalece seu papel estratégico na segurança e na qualidade do serviço a bordo, sendo peça-chave para o padrão de excelência operacional das companhias aéreas. 7. Conselhos para quem quer seguir na carreira Para quem sonha em seguir a carreira, o segredo está em investir na formação técnica, manter-se aberto ao aprendizado e ter vocação para servir. “O atendimento verdadeiramente marcante vem do coração, e é isso que torna nossos comissários únicos”, afirma Elisabete Antunes, diretora dos comissários de bordo da Azul. A função de comissário de voo vai muito além do atendimento aos passageiros. Trata-se de uma carreira sólida, com oportunidades de crescimento baseadas em experiência e formação contínua. Segundo Diogo Lotito de Carvalho, gerente-sênior de Serviço a Bordo da LATAM Brasil, a profissão oferece experiências únicas, em equipes multiculturais e diversas, permitindo que cada comissário deixe sua marca ao garantir a segurança e um de voo de qualidade. A GOL informou, em nota, que para ingressar na carreira de comissário de voo é necessário apresentar toda a documentação exigida e ter domínio de inglês e espanhol — competências consideradas indispensáveis atualmente. A companhia destaca ainda que dedicação e constante atualização são fundamentais para garantir a segurança e a excelência no atendimento, além de reforçar que seus valores servem como referência no perfil buscado para novos colaboradores.