Sobe para 192 número de mortos em protestos no Irã; nível de confronto com manifestantes 'se intensificou', diz polícia

Vídeos mostram caos nas ruas do Irã em manifestações contra o governo Khamenei O número de mortos nos protestos generalizados que tomaram as ruas do Irã há quase duas semanas subiu para 192 neste domingo (11), segundo uma ONG que monitora a situação no país. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou neste domingo (11) os Estados Unidos e Israel de "semear caos e desordem" no país e tentou buscar um diálogo com a população iraniana. Ao mesmo tempo, a polícia afirmou que "o nível de confronto com os manifestantes se intensificou". neste domingo (11) retaliar contra Israel e bases militares dos Estados Unidos caso o país seja alvo de um bombardeio norte-americano. "Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos", disse o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, segundo a Reuters. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A declaração ocorre em meio a uma onda de protestos contra o regime do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e após o presente dos EUA, Donald Trump, ameaçar intervir na crise se o regime matar manifestantes pacíficos. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, também acusou neste domingo os EUA e Israel de "semear caos e desordem" no país ao fomentar confrontos nas ruas e pediu para que a população se distancie do que chamou de "badernistas e terroristas". No sábado, Trump também disse que o Irã está "buscando a liberdade" e que os norte-americanos estão "prontos para ajudar". Ao mesmo tempo, Pezeshkian buscou uma conciliação com a população ao dizer que o governo está pronto para "ouvir seu povo" e está determinado a resolver as questões econômicas. Enquanto isso, os protestos no Irã já deixaram ao menos 116 mortos, atualizaram neste domingo (11) o grupo de direitos humanos HRANA. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou que "o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou". Em meio aos protestos, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável. Segundo o jornal norte-americano "The New York Times", Trump foi informado nos últimos dias por membros de seu governo sobre opções disponíveis para ataque militar no Irã. O presidente, no entanto, ainda não se decidiu sobre o que fazer em relação ao país do Oriente Médio, de acordo com o jornal. LEIA TAMBÉM: ENTENDA: Pedidos para Khamenei renunciar, repressão e mortes: entenda a crise no Irã, que vive maior onda de protestos desde 2009 VÍDEOS: Carros incendiados, bandeira rasgada e multidão nas ruas: Veja o caos no Irã com protestos contra regime Khamenei INTERFERÊNCIA: Irã acusa 'mercenários dos EUA e de Israel' de participar de protestos contra o governo Khamenei País está em guerra, diz regime iraniano Imagem retirada de um vídeo divulgado em 9 de janeiro mostra um carro em chamas durante noite de protestos em Zanjan, no Irã TV estatal do Irã via AP Desde o início dos protestos generalizados contra o regime do aiatolá Ali Khamenei no Irã, nos últimos dias de 2025, o movimento se expandiu em escala e violência. Khamenei disse na sexta-feira (9) que seu governo "não vai recuar" diante dos protestos generalizados, que escalaram em proporção e violência nos últimos dias. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, o líder supremo iraniano chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”. Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, afirmou que o Irã está “em plena guerra” e que alguns “incidentes” foram “orquestrados no exterior”. O regime iraniano também acusou os Estados Unidos de incitar os protestos. Os EUA chamaram as acusações de “delirantes” e disseram que elas refletem uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime iraniano, segundo um porta-voz do Departamento de Estado. A repressão do governo iraniano aumentou neste sábado, segundo a agência AFP. O Irã não enfrentava um movimento dessa magnitude desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente violar o código de vestimenta feminino. As manifestações ocorrem em um momento de fragilidade do Irã, após a guerra com Israel e os golpes sofridos por alguns de seus aliados regionais. Além disso, em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) restabeleceu sanções ligadas ao programa nuclear do país.