Pecuária sob ataque global: as defesas estão em curso? — Parte I

Ainda antes do encerramento do ano de 2025, participei da 44ª Reunião Virtual sob coordenação do Irish Climate Science Forum (ICSF) da Climate Intelligence (Clintel). Ambos são órgãos civis sem fins lucrativos, compostos por cientistas, sendo que o segundo, do mundo inteiro, os quais questionam a loucura climática propagada pela Organização das Nações Unidas (ONU), governos e demais instituições, inclusive as privadas e as organizações não governamentais (ONGs). Na reunião, realizada em 9 de dezembro, três palestrantes abordaram um tema extremamente importante para a pecuária brasileira — e que envolve a fraude climática da influência do metano. A reunião foi intitulada como a “Pecuária sustentável — As boas notícias da declaração de Extremadura”, ou Estremadura, uma comunidade autônoma no oeste da Espanha, fronteiriça a Portugal. As apresentações expuseram o equívoco propagado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sobre o metano supostamente ser um “gás de efeito-estufa” perigoso e, portanto que a pecuária precisasse ser cerceada, o que criaria uma ameaça desnecessária à cadeia global de suprimentos de alimentos que derivam dela. A mais recente ciência do clima diz exatamente o oposto, como foi explicado pelos oradores Declan J. Troy, Antonio José Piñeros e Owen Jennings (por gravação em vídeo), todos participantes da reunião em Espanha, presidida por Piñeros e apresentada nesta reunião virtual da ICSF/Clintel. Dr. William Harper, físico da Universidade de Princeton , no Estado norte-americano de Nova Jersey, um dos céticos à fraude climática, era o quarto conferencista, mas não conseguiu participar, pois estava na Nova Zelândia. + Leia mais notícias de Agronegócio em Oeste O anfitrião da reunião alertou que esse era um tema muito importante para países como a Irlanda e a Nova Zelândia, ambos com suas economias fortemente baseadas ainda na agropecuária. Achei estranho não citarem Argentina e Brasil, por exemplo, como países nas mesmas condições e maiores, cuja parcela das exportações envolve significativamente produtos derivados deste setor, acendendo um alerta para algo que não é um simples detalhe. Fator importante O assunto da reunião abordou se o difamado metano impacta ou não nas questões climáticas, nas quais sempre aplicam a premissa errada de que gases trabalhem como retentores de radiação infravermelha e que a atmosfera funcione como uma estufa. As discussões derivaram das apresentações realizadas durante o 2º Congresso Mundial para a Pecuária Sustentável, patrocinada pela Associação Mundial da Pecuária Sustentável, realizada em Estremadura, Espanha, de 12 a 14 de novembro de 2025. Lembraram que essa reunião da Espanha levou em conta os principais aspectos climáticos mais recentes, além de ressaltarem que a atividade pecuarista vem sustentando a humanidade por milênios, fornecendo nutrição e moldando as paisagens geográficas que envolvem a biologia, com culturas diferentes, um fator sempre esquecido que envolve a regionalidade das atividades. https://www.youtube.com/watch?v=uiAnrZ-lkHM&pp=ygUpcmV2aXN0YSBvZXN0ZSBhIGZvcsOnYSBkbyBhZ3JvcCBwZWN1w6FyaWE%3D Esse fator é importante porque em uma visão generalista, não se leva em conta que as atividades desta área incluem seu papel na conservação natural, na resiliência existencial da atividade rural e na segurança alimentar global, cumprindo também papeis regionais, aspectos que foram simplesmente esquecidos pela ONU, como já ressaltamos anteriormente. Segundo o anfitrião dos seminários da Clintel, os resultados desta reunião na Espanha trouxeram mensagens bastante positivas para as comunidades agrícolas, bem como para os políticos da Irlanda, da Europa, mas também mundialmente, o que ainda serei bastante cético para acreditar e mostrarei o meu motivo na terceira parte deste texto. Por ora, quero resumir e expor pontos importantes do primeiro palestrante, deixando os outros dois, especialmente o terceiro para a discussão posterior no bloco dois. A pecuária na visão de Declan J. Troy Assim, o primeiro conferencista foi Declan J. Troy, formado em química, com pós-graduação na University College Dubli n , em 1986. Atualmente é o diretor-assistente de pesquisa da Autoridade Irlandesa de Agricultura e Desenvolvimento e é colaborador do ICSF, uma das instituições que apoiam o evento. Ele trouxe como discussão a importância da carne na alimentação global, ressaltou a necessidade da ciência em encabeçar o assunto com debates reais, destacou os principais pontos da reunião na Espanha e desmistificou o que chamou de “bala de prata” para o que estão a promover como soluções mágicas para o tema, como reduzir ou deixar de comer carne, a produção de carne vegetal feita em laboratórios apresentada como o futuro e se os debates realmente são científicos. Em todas essas questões, urge a necessidade da devida e adequada resposta, refutando-as rapidamente, antes que seja tarde demais. O próprio especialista diz não ser da área de clima, mas sim um estudioso decano e ativo da área que envolve as tecnologias da carne, cujo grupo inclui cerca de 600 profissionais de todo o mundo, os quais também têm se posicionado contra o alarde realizado. Ele enfatizou que os cientistas deveriam ser ouvidos, sendo mais pró-ativos na mídia , na sociedade e com os políticos, dada a visão dominante distorcida que não abre espaço para o contraditório. https://www.youtube.com/watch?v=v7tXOOhymw0&pp=ygUpcmV2aXN0YSBvZXN0ZSBhIGZvcsOnYSBkbyBhZ3JvcCBwZWN1w6FyaWE%3D Troy iniciou dizendo, primeiramente o trivial que é o número de pessoas que esse setor emprega pelo mundo. Serão milhares de empregos afetados por qualquer decisão que seja tomada. Segundo o conferencista, um em cada seis habitantes do planeta tem sua renda ligada a pecuária, ou seja, cerca de 1,7 bilhão de pessoas, em algum aspecto, têm seu sustento envolvendo o setor. A pecuária não é uma indústria de “vai e vem”, como lembrou Troy, mas algo altamente enraizado na economia e sociedade de forma global. Ele também elencou os diversos aspectos culturais da própria culinária pelo mundo que, em todas as ocasiões, utiliza produtos deste setor, ainda lembrando-nos essencialmente dos poderosos nutrientes da carne, como proteínas, ferro, zinco, vitamina B12 etc., mas também de leite, ovos, entre outros. No seu próprio contraponto, listou como problemas os “gases de efeito-estufa”, uso das terras e da água e poluição; as questões éticas que envolvem os animais na alimentação e as fazendas-fábricas; as questões médicas; os controles corporativos globais, mas em particular, ressaltou a discussão de carne artificial fabricada em laboratórios, cuja matéria-prima seria supostamente oriunda de plantas e os grupos que fazem propagandas enganosas que envolvem centros de pesquisa, ONGs e formadores de políticas públicas, todos alinhados e muito bem financiados pela causa ambiental-climática. Cadeias produtivas Um dos pontos fortes do discurso foi explanar a concentração urbana que continua a crescer pelo mundo, tirando as pessoas do contato com o rural e de onde provêm os alimentos. Devemos lembrar que no Brasil, essa estimativa é uma das maiores do mundo prevendo que alcance 80% da população morando em ambientes urbanos. Troy alertou sobre o tamanho da alienação da humanidade atualmente, tornando poucos os que entendem de onde vêm e como funcionam as cadeias produtivas alimentares, facilitando que “frases de efeito” causem grande impacto nas redes sociais, por exemplo, atingindo muitas pessoas. Há um debate conflitante entre interesses que causam confusão, desconfiança e até mesmo mudança de hábitos de consumo que simplesmente não se justificam. Troy trabalha desde 2022 no combate às críticas injustas que o setor sofre, colocando a verdadeira ciência em primeiro plano. Ressaltou que no congresso em Estremadura, observou como os políticos regionais e membros do setor estavam altamente comprometidos em defender seus interesses, lembrando que isto deveria ser um exemplo para os políticos irlandeses, mas, aqui faço meu adendo, que isto valha para os políticos e membros do setor no Brasil e demais países sul-americanos, comentário que faz parte da minha preocupação alertada anteriormente. https://www.youtube.com/watch?v=J11yEkqbB2w&pp=ygUpcmV2aXN0YSBvZXN0ZSBhIGZvcsOnYSBkbyBhZ3JvcCBwZWN1w6FyaWE%3D Não só isto, mas Troy, com a ajuda de seu colega, Piñeros, reconheceram que há reducionismo, pseudociência e fortes interesses particulares que estão forçando um senso comum equivocado sobre o tema, complicando a mensagem sobre os benefícios da produção pecuária e a alimentação derivada dela. Ele citou o palestrante seguinte, Dr. Owens, que sugeriu que o metano fosse devidamente medido pelas métricas do índice Potencial de Aquecimento Global GWP modificado para GWP* e não o GWP100. O GWP foi criado nos anos de 1990 para acompanhar a panaceia dos gases refrigerantes CFC e a baboseira da “camada de ozônio” (os CFC recebiam um índice também, o Potencial de Depleção de Ozônio (ODP). O GWP surgiu de forma que já pudessem “condenar” a família seguinte de gases refrigerantes HCFC e depois, os HFC. Os novos gases “nasciam” com baixo ODP, mas elevado GWP, o que obrigaria sua substituição em poucos anos, espertos, não?!). Destacou que Owens indagou se estão a medir o gás certo e o porquê do metano. Lembrou também que Frank Mitloehner apresentou as medidas de mitigação que estão a implementar para a redução de emissão de metano, como aplicação de aditivos à ração dos animais, ponto que, ao meu ver, completa o nível da estupidez que a humanidade chegou com a palhaçada do “aquecimento global”. Manejo de dejetos, por questões sanitárias é uma coisa, mas mudança de biodigestão por causa de “clima” é outra bem diferente. Falácias contra o setor produtivo Na sua área de especialidade, Troy alertou para as falácias que são disseminadas como as que ligaram câncer ao consumo de carne; que a tal carne de laboratório já está em todas as prateleiras do mundo, quando isto não é real, pois não há nenhuma unidade de processamento em funcionamento; que todas as evidências em contrário, trazidas por especialistas da área de clima, contestam a abordagem do IPCC GWP100, outro índice da estupidez que permite que qualquer gás seja comparado aos “efeitos de CO 2 ”, projetando seu potencial de aquecimento (GWP) para daqui a cem anos. Ele é diferente do GWP*, que vem sendo mais utilizado pelo pessoal que conta moléculas do setor pecuário, tendo em vista que o metano tem vida curta. https://www.youtube.com/watch?v=j_9gjjvs_fA&pp=ygUkcmV2aXN0YSBvZXN0ZSBhIGZvcsOnYSBkbyBhZ3JvIGNhcm5l Troy terminou sua palestra criticando abertamente a Comissão EAT-Lancet que pretende substituir todos os derivados alimentares da pecuária por vegetais, permitindo apenas um consumo de 15 gramas de carne por dia. Trouxe a dura critica a tal dieta realizada por John Ioannidis, médico e cientista grego-estadunidense, professor de medicina, epidemiologia e saúde humana na Universidade de Stanford, que disse que “as alegações de saúde da dieta EAT-Lancet são ficção científica. Não consigo descrevê-la de outra forma”. Troy lembrou o alerta realizado por Ioannidis sobre os riscos alimentares desta dieta, especialmente em pessoas mais vulneráveis ou em estágios específicos de vida. Esse é um ponto importante a se lembrar, pois no primeiro momento, “sugerem” que seja reduzido para apenas 15 gramas, mas depois que se abriu uma porta de passagem de tais imposições, nada garante que a coisa piore no futuro para restrições mais severas. Concluiu que a ciência e o método científico devem se basear na avaliação das evidências quantitativas dos campos da nutrição, agricultura, produção animal e ciências ambientais com dados reais. As discussões públicas têm sublimado a complexidade dos temas, resultando em falastrões especuladores e desentendidos, legislações ineficientes e danosas, além de políticas prejudiciais generalizadas que fazem restrições sem medir as reais consequências de seus atos. Achei oportuno trazer esses tópicos do primeiro seminarista ao conhecimento de todos para que possam começar as suas pesquisas e verificar que o modo de operação é sempre muito semelhante. No próximo bloco traremos o resumo e comentários dos outros dois palestrantes, focando mais em Piñeros. A questão que lhe fiz na seção final e os comentários sobre a “sustentabilidade” estarão no último bloco. A guerra é pesada e todos precisam se preparar. O post Pecuária sob ataque global: as defesas estão em curso? — Parte I apareceu primeiro em Revista Oeste .