Autoridades australianas temem o agravamento dos incêndios florestais que afetam vastas áreas no sul do país. No fim de semana uma pessoa morreu e cerca de 300 propriedades foram destruídas em incêndios florestais que devastam o sudeste da Austrália há vários dias, principalmente em Victoria, mas também em Nova Gales do Sul, consumindo uma área quase duas vezes maior que a região metropolitana de Londres. Extremos: Tendência de mais desastres climáticos em 2026 no mundo Bússolas são reajustadas: entenda o motivo Restos mortais humanos foram encontrados no domingo na área do incêndio de Longwood, em Victoria, a cerca de 100 metros de um veículo na estrada Yarck Road, em Gobur, segundo a polícia estadual; a vítima ainda não foi identificada formalmente. O chefe de bombeiros da Forest Fire Management Victoria, Chris Hardman, chamou de “piores temores realizados”, com “primazia pela vida” como prioridade. Estado de emergência e milhares de bombeiros em ação Victoria declarou estado de emergência e desastre, com milhares de bombeiros e mais de 70 aeronaves combatendo 32 incêndios ativos, 11 com alertas de emergência extrema às 15h30m de domingo (hora local), ordenando evacuação imediata ou abrigo em locais seguros. Cidades como Harcourt (central highlands), Ravenswood, Natimuk, Longwood e Mount Mercer sofreram perdas graves: mais de 47 casas e três negócios destruídos em Ravenswood e Harcourt; 30 casas e 40 galpões em Natimuk; 150 estruturas em Longwood; uma casa e 12 galpões em Mount Mercer. O bombeiro Tyrone Rice perdeu sua própria casa em Harcourt enquanto combatia outro foco, descrevendo como “um soco no estômago”, mas “não sou o primeiro nem o último”. Um repórter da 9 News, Jack Ward, viu em várias cidades do oeste de Victoria “telhados de zinco no chão como único resquício de casas”. O primeiro-ministro Anthony Albanese prometeu apoio federal, anunciando cerca de R$ 70 milhões (US$ 19,5 milhões australianos) em fundos de recuperação conjunta com o estado de Victoria para os afetados. Condições extremas e alertas de saúde O fogo já consomiu 350 mil hectares, alimentado por calor escaldante, seca e ventos fortes que podem durar semanas, segundo autoridades. Treze centros de socorro estão abertos, com distribuição de comida e feno para gado sobrevivente, mas áreas ainda são perigosas para avaliações de danos. O comissário de emergência Tim Wiebusch criticou espectadores em zonas de risco, alertando para galhos caindo mesmo após a passagem do fogo. A qualidade do ar é de “ruim a muito ruim” em Wangaratta, Beechworth e outras cidades devido à fumaça, com alertas para idosos, crianças, grávidas, asmáticos e cardíacos ficarem em casa. Em Harcourt, água da torneira está contaminada; moradores devem evitar consumo. Meteorologistas preveem alívio do calor após três dias de temperaturas recordes, mas sem chuva significativa até quinta ou sexta-feira, limitada ao sul e Gippsland. No norte, o ciclone tropical Koji causa inundações na Queensland. Cientistas ligam eventos como esses à mudança climática, que torna ondas de calor secas e ventosas mais frequentes e intensas, agravando incêndios apesar de fatores como gestão de terras. A Austrália registrou seu quarto ano mais quente em 2025, com média 1,23°C acima da normal.