Governo do Irã pode ter assassinado 2 mil manifestantes

Mais de 2 mil manifestantes podem ter sido mortos pelo governo do Irã, denuncia a ONG Iran Human Rights (Irã Direitos Humanos, em tradução livre). As manifestações começaram em 28 de dezembro, em meio ao aumento do custo de vida da população. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste “Relatos não verificados indicam que pelo menos centenas, segundo algumas fontes, mais de 2 mil pessoas podem ter sido mortas”, escreve a entidade em nota. “Devido ao bloqueio total da internet e às severas restrições ao acesso à informação, a verificação independente continua sendo um grande desafio nas circunstâncias atuais.” Manifestantes são enquadrados como 'inimigos de Deus' Segundo o grupo, o procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi Azad, descreveu todos os manifestantes como mohareb (inimigos de Deus). “Acusação punível com pena de morte segundo a lei iraniana”, alertam. Mahmood Amiry-Moghaddam, da ONG de direitos humanos, pediu ajuda a outros países. “O assassinato de manifestantes nos últimos três dias, particularmente após o bloqueio nacional da internet, pode ser ainda mais extenso do que imaginamos”, disse. “A República Islâmica está cometendo um grave crime internacional contra o povo do Irã, e a comunidade internacional tem a obrigação, segundo o direito internacional, de usar todos os meios disponíveis para impedir esse crime.” Rubina Aminian, a 23 years old student was killed on the evening of Thursday, January 8, after leaving the college and joining protest gatherings in Tehran.⁰“The family was taken to a location near the college where they were confronted with the bodies of hundreds of young… pic.twitter.com/1YTcK7mBiy — Mahmood Amiry-Moghaddam (@iranhr) January 10, 2026 Mesmo com a suspensão da internet, que já dura três dias, o grupo conseguiu confirmar a morte de quase 200 manifestantes. Entre elas, a de Rubina Aminian, 23 anos, morta com um tiro na nuca. Uma face da tragédia no Irã Rubina foi assassinada na quinta-feira, dia 8, e estudava design têxtil e de moda na Faculdade Shariati, em Teerã. A família mora a 500 quilômetros do local e teve de viajar para identificar o corpo. Ao chegar, deparou-se com centenas de outros corpos. “Não foi só a minha filha”, disse a mãe de Rubina. “Vi centenas de corpos com os meus próprios olhos.” Segundo fontes ouvidas pela Iran Human Rights, a família teve dificuldades para conseguir a liberação do corpo. Ao retornar à cidade de origem para enterrar a filha, não pôde entrar em casa. A residência estava cercada pelas forças do serviço de inteligência do Irã, e eles não tinham permissão para seguir com o sepultamento. Rubina teve de ser enterrada em uma estrada nas proximidades. Até o momento, nem sequer cerimônias fúnebres sem o corpo foram liberadas, informaram as mesquitas procuradas pela família. Ditadura dos aiatolás Ali Khamenei é o líder supremo desde 1989, quando morreu Ruhollah Khomeini. Único a ocupar o cargo antes dele, o antecessor liderou a implantação da República Muçulmana no Irã e comandou o país por uma década. O país vive sob uma ditadura religiosa desde 1979, quando a monarquia laica foi abolida por um grupo de muçulmanos xiitas radicais. O regime substituto dá a um aiatolá (autoridade religiosa) o título de líder supremo. Ele é responsável por conduzir um colegiado de clérigos que ditas as regras no país. Sob o regime dos aiatolás, a nação rompeu com o Ocidente, especialmente com Estados Unidos e Israel, países com os quais não mantém relações diplomáticas formais. O Irã passou de uma sociedade laica para um lugar onde a população sobrevive sob a rigidez de um conjunto de regras estabelecido segundo a visão do islã de seus líderes. Não há igualdade entre homens e mulheres. Homossexuais são condenados à morte. Cristãos e judeus não têm os mesmos direitos que os muçulmanos — e os ateus podem ser punidos pelo crime de blasfêmia. O post Governo do Irã pode ter assassinado 2 mil manifestantes apareceu primeiro em Revista Oeste .