O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) fez uma publicação de agradecimento pela atuação do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que deixou o comando da pasta na semana passada. No post, Alckmin disse que a homenagem seria “em reconhecimento ao seu admirável espírito público e à sua inspiradora lealdade aos valores supremos do Estado Democrático de Direito”. Após a saída de Lewandowski do posto, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também saiu em defesa dele em meio a uma onda de críticas feitas pela direita nas redes sociais. De olho nas eleições: Lula 3 chega ao último ano de governo com promessas a cumprir em segurança, trabalho e meio ambiente Cenário político no Rio: Com pré-candidatura de Flávio, direita afunila nomes para comando do estado “O Ministro Lewandowski tem honrado, com grande virtude e fiel desempenho, as mais distintas e elevadas funções públicas que exerceu ao longo da vida”, disse o vice-presidente na publicação. Alckmin também afirmou que “enaltece o alcance e a importância dos seus excepcionais serviços prestados ao nosso país, exaltando-os como dignos do respeito e da admiração de todos os brasileiros”. Já no sábado, Gilmar Mendes, que esteve ao lado de Lewandowski no período em que ele estava no Supremo, argumentou que o ex-ministro trabalhou para fortalecer o combate ao crime organizado e apresentou a PEC da Segurança. O advogado-geral da União e indicado à vaga no STF, Jorge Messias também elogiou a atuação do ex-ministro. "Sua trajetória foi marcada por um compromisso inabalável com a ética, a transparência e a defesa dos direitos fundamentais, sempre com um olhar atento às necessidades dos mais vulneráveis", disse no post. Críticas da direita Por outro lado, o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), que está exercendo o cargo de governador nas duas últimas semanas, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) está de férias, criticou a gestão de Lewandowski e chamou de “boa notícia” a saída dele da pasta. — Na minha opinião, é o pior ministro da Justiça da história. A gente teve a proposta dele de uma lei de segurança pública inócua que, justamente por isso, não foi adiante, que também tirava poderes dos governadores. Também mais uma frase infeliz do governo administrado pelo PT quando ele diz que a polícia prende mal, por isso que a Justiça é obrigada a soltar — disse na sexta-feira, na sa "Lewandowski sai do Ministério da Justiça e deixa um legado: crime organizado mais forte, mais ousado e mais armado no Brasil. Enquanto facções avançam, o ministro abandona o cargo sem entregar nada. Segurança zero", também postou a deputada federal Júlia Zanatta. Entenda a saída de Lewandowski O ex-ministro entregou na última quinta-feira sua carta de demissão, mesmo após o pedido feito pelo presidente Lula para que ele permanecesse no cargo até o fim do mês. Ele ficou à frente da pasta por dois anos e enfrentou crises provocadas pela fuga de presos do presídio de Mossoró (RN). No mesmo período, ele também acompanhou a conclusão da investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, morta em 2018, e da prisão dos acusados de serem mandantes do crime, o deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) e o conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão. Lewandowski, no entanto, não conseguiu a aprovação no Congresso da PEC da Segurança, principal proposta legislativa de sua gestão, e teve desgastes com a Casa Civil por conta do projeto. Como mostrou o GLOBO, após o MJ terminar a elaboração da proposição em dezembro de 2024, o texto permaneceu parado por meses na pasta comandada por Rui Costa, que questionou pontos como, por exemplo, o empoderamento da Polícia Federal e a necessidade de reforço orçamentário para aumentar o efetivo policial. O texto só foi mandado para o Congresso em abril e até hoje não foi aprovado. Lewandowski se mostrou mais contrariado, segundo integrantes do governo, quando surgiu a ideia de criar uma secretaria extraordinária vinculada à Casa Civil para concentrar as ações do governo na área da segurança pública. A proposta, que foi apresentada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, seria uma resposta do governo à operação policial que deixou 121 mortos no Rio no fim de outubro. A ideia não foi aprovada por Lula, mas o ministro da Justiça entendeu que havia uma pressão interna para enfraquecer o seu ministério.