Venezuela divulga comunicado em defesa de Cuba e fala em ‘princípio da não intervenção’ após declarações de Trump

A Venezuela divulgou neste domingo um comunicado oficial em resposta indireta à escalada de tensões entre os Estados Unidos e Cuba, após o presidente americano, Donald Trump, lançar um ultimato a Havana para que negocie com Washington “antes que seja tarde demais”. A declaração venezuelana ocorre dias depois da intervenção militar dos EUA em Caracas, que resultou na captura de Nicolás Maduro, e no momento em que Trump afirma que o governo cubano perderá seu principal sustentáculo econômico com o fim do envio de petróleo venezuelano. Contexto: Trump alerta Cuba para ‘fazer um acordo antes que seja tarde demais’ e sugere Rubio como presidente Após a operação em Caracas: Entenda como os EUA redesenham a Venezuela e ampliam temores regionais No texto, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, a República Bolivariana da Venezuela reafirma sua “posição histórica” nas relações com Cuba, com base na Carta das Nações Unidas e no Direito Internacional, ressaltando o direito à autodeterminação e à soberania nacional. O comunicado destaca que os vínculos entre Venezuela, Caribe e Cuba foram construídos “na fraternidade, na solidariedade, na cooperação e na complementaridade”. O governo venezuelano também sustenta que as relações internacionais devem se pautar pelos princípios da não intervenção, da igualdade soberana entre os Estados e da livre determinação dos povos. Segundo o texto, o diálogo político e diplomático é apontado como “o único caminho” para resolver controvérsias de forma pacífica. A manifestação de Caracas ocorre após o presidente dos EUA declarar publicamente sua convicção de que o regime cubano está próximo de cair, sustentando que a perda do suporte econômico de Caracas seria suficiente para provocar esse desfecho, sem necessidade de uma intervenção militar direta na ilha. Em declarações a jornalistas a bordo do Air Force One, Trump afirmou que Cuba “deixou de ter receitas” e que todas elas provinham da Venezuela e do petróleo venezuelano. Pouco antes, Trump republicou a mensagem de um usuário da rede social X sugerindo que o secretário de Estado, Marco Rubio, se tornaria presidente de Cuba, e acrescentou o comentário: “Parece bom para mim!”. Em sua própria publicação logo em seguida, Trump disse que “Cuba viveu, por muitos anos, de grandes quantidades de petróleo e dinheiro da Venezuela. Em troca, Cuba forneceu ‘Serviços de Segurança’ aos dois últimos ditadores venezuelanos, mas não mais”. Em resposta ao ultimato, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, rejeitou as ameaças americanas e afirmou que Cuba é uma nação livre, independente e soberana, acusando os Estados Unidos de manterem, há mais de seis décadas, um bloqueio econômico contra a ilha. Díaz-Canel também atribuiu as dificuldades econômicas cubanas às sanções impostas por Washington. Embora o comunicado venezuelano não mencione diretamente os EUA nem o presidente Trump, a manifestação se insere em um cenário de crescente tensão regional. Desde a operação militar de 3 de janeiro em Caracas, o presidente americano tem feito declarações sobre possíveis novas intervenções no continente e reiterado sua avaliação de que a mudança política na Venezuela teria um efeito dominó sobre Cuba. (Com AFP)