Daniel Buren exibe obras em regata na Baía de Guanabara

As inconfundíveis listras de Daniel Buren atravessam o mundo numa jornada que se estende por quase seis décadas sem que o artista francês, de 87 anos, dê sinais de um destino final para a sua viagem visual. A próxima parada é no Rio, quando deslizam, no próximo dia 22, sobre as águas da Baía de Guanabara. É a primeira vez que o projeto “Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela)”, exibido em cidades como Berlim e Genebra, aporta por aqui. Na intervenção, 11 veleiros fazem, a partir das 15h, um trajeto entre a Marina da Glória e a Praia do Flamengo, munidos das tais listras. Após a regata, as velas ganham uma mostra, de 28 de janeiro a 12 de março, no foyer do MAM Rio. “O trabalho de Buren tem uma aparência de simplicidade e de um apelo superficial imediato, com as listras e as cores em movimento”, afirma o diretor artístico do museu, Pablo Lafuente. “Mas esse encontro se desdobra em um debate sobre onde está a arte, com uma experiência estética capaz de afetar a nossa relação com uma paisagem conhecida.” Daniel Buren também ganhará livro sobre a sua relação com o Brasil Getty Images Não é por acaso que Buren, que já deixou sua marca em colunas do pátio do Palais Royal, em Paris, denomina suas intervenções como “in situ”, ao propor práticas artísticas ligadas às especificidades de cada lugar. No caso do Rio, as velas vão ser exibidas no MAM conforme a ordem de chegada das embarcações, o que resultará num desdobramento visual único. “Isso é parte importante do processo criativo dele”, afirma Alexandre Roesler, sócio da Nara Roesler, galeria que o representa no Brasil. “Desde os anos 1970 que ele não trabalha mais em estúdio. Na maioria das intervenções, as obras são produzidas nos locais.” Embora a obra seja inédita no país, Daniel já deixou sua marca na Bienal de São Paulo, coloriu a fachada do Copacabana Palace e abre, em abril, uma exposição na Nara Roesler, em São Paulo. Para dar conta dessa história, a relação do francês com o Brasil ganha, ainda este ano, um livro pela Nara Roesler Books. “Trata-se de um nome incontornável no cenário internacional”, reconhece o diretor editorial à frente da publicação, Luiz Vieira. “Vamos reunir todas as obras de Buren no país, tanto in situ, públicas, como alguns projetos especiais, para difundir e organizar a relação do artista com o Brasil.”