Em um depósito de bebidas a um quarteirão da orla de Copacabana, o coco gelado custa R$ 8. Seguindo pela mesma rua, ao chegar no calçadão, o banhista se depara com o mesmo produto a R$ 13. Alguns metros adiante, caminhando pela orla, outro vendedor o anuncia a R$ 8 novamente. Nas promoções, a diferença fica ainda maior: dois cocos por R$ 15 em uma, e os mesmos dois cocos por R$ 25 em outra. Esta variação de valores em um curto espaço é o principal motivo levantado pelos frequentadores das praias para aprovarem o tabelamento de preços que o prefeito disse que estudará para produtos nas praias cariocas. Eduardo Paes anunciou o estudo nas suas redes sociais, depois que O GLOBO denunciou a cobrança de preços abusivos para quem se refresca à beira-mar. 150 litros em uma hora: Calor de 40°C no Rio enche praias e faz banhistas buscarem pontos de hidratação da orla Veja cuidados necessários: No Rio, umidade relativa do ar fica entre 21% e 30% na tarde de domingo A recepcionista Maria Luiza Oliveira, de 20 anos, foi de moto de São João de Meriti com o namorado, o estudante Carlos Henrique Pires, de 22 anos, à Praia de Copacabana, no último domingo (11). O casal não conseguiu levar guarda-sol nem cadeiras para a praia, como fazem outros frequentadores que buscam driblar a variação de preços do aluguel. Eles creem que preços fixos podem ajudar a quem quer economizar: — Eu acho uma boa (medida). Já vimos guarda-sol aqui por R$ 25 e por R$ 50, o dobro do preço. Com o tabelamento, a gente não precisaria ficar procurando — conta ela, que tentar pagar até R$ 30 no guarda-sol, porque sabe que é o preço mais baixo praticado pro ali. O casal Maria Luíza Oliveira e Carlos Henrique Pires, na Praia de Copacabana Danilo Perelló/Agência O Globo É comum que cariocas alertem os turistas para ficarem atentos aos preços oferecidos por vendedores de diferentes lugares, afirmando que eles oferecem um valor mais alto ao perceberem que o cliente não é do Rio de Janeiro. Segundo a Prefeitura do Rio, a norma para os barraqueiros é fixar em suas barracas uma tabela de preços com os valores praticados para cada produto comercializado. Algo que evita uma cobrança de valor estipulada na hora pelo vendedor. Mas mesmo quem mora na Região Metropolitana do Rio sente que fica refém das práticas nas praias, especialmente as mais turísticas da cidade. — Cobram R$ 50 no (aluguel do) guarda-sol. Vemos que eles se aproveitam. Porque num calor de 40°C deste, quem não vai pagar por um guarda-sol? — critica a esteticista Thaís Lima, de 26 anos. Memória: Há 60 anos, 'maior temporal de todos os tempos' deixou 250 mortos e cicatrizes nas paisagens do Rio Thaís esteve na Praia do Arpoador nos últimos sábado (10) e domingo (11), com a amiga Cássia Agostini, de 33 anos. As duas viram variação de preço nas duas ocasiões. — Ontem pagamos R$ 12 na cadeira. Hoje já vi que está por R$ 20 ali. Vamos chegar agora na areia e procurar. Sentimos que é um preço da cabeça dos barraqueiros. Aí não sabemos quanto vamos gastar em um dia na praia — completa Cássia. Cássia Agostini na Praia do Arpoador Danilo Perelló/Agência O Globo Ao caminhar pela orla, é comum ver banhistas levarem suas cadeiras ou coolers para a praia. Um trabalho extra para economizar no seu lugar ao sol. Um vendedor de sacos de gelo que aguardava a demanda dos barraqueiros no calçadão do Arpoador aproveitava para oferecer o produto também para os vários banhistas que passavam com um isopor ou cooler por ali, enxergando uma oportunidade de ampliar as suas vendas. — Eu trago minha canga, comida e bebidas, para não pagar esses preços. Vi outro dia um caso na Bahia de um preço abusivo que foi cobrado na praia — conta a cuidadora de idosos Vitória Santos, de 47 anos. Depois da publicação de Eduardo Paes sobre a possibilidade de tabelamento de preços, a Orla Rio, concessionária responsável pela gestão da maioria dos quiosques, manifestou-se contrária à proposta e disse que essa possibilidade “não existe”. Mesmo com águas cristalinas: Entenda por que a Praia do Arpoador está imprópria para banho Segundo o presidente da concessionária, João Marcello Barreto, a atividade segue a lógica do mercado e não comporta padronização. Em relação a cobranças consideradas abusivas, como valores que chegam a R$ 800 por estruturas de praia, o presidente esclarece que, nesses casos, a prática costuma envolver a conversão do uso do espaço em consumo mínimo — o que não é permitido pela legislação de defesa do consumidor nem pelas regras contratuais da concessão. — Não tem como padronizar preços, até porque existem produtos mais sofisticados, com estruturas e serviços diferentes. O consumidor pode acionar o Procon e também registrar a ocorrência nos nossos canais — afirma. A Prefeitura do Rio afirma ainda que quem se sentir lesado pode acionar a Central de Atendimento 1746, o site proconcarioca.prefeitura.rio ou mesmo buscar um agente que esteja fiscalizando a praia naquele momento. Fechamento da Pedra do Arpoador Conhecida por um pôr do sol digno de aplausos, a Pedra do Arpoador tem recebido muitos visitantes quando o astro rei já está bem escondido. Durante a noite, é comum ver o local cheio de frequentadores. Com objetivo de reforçar a segurança, garantir a limpeza urbana e promover o ordenamento público, a prefeitura determinou que o ponto turístico terá regras parecidas às de um parque público, com abertura às 4h e fechamento às 21h. Elas começaram a valer no dia 3 de janeiro, o primeiro sábado do ano. Pedro do Arpoador, do último domingo (11) Gabriel de Paiva/Agência O Globo A equipe do GLOBO que esteve no local do último domingo viu um espaço limpo, mesmo com a superlotação no início da tarde. A norma também vem sendo aprovada pelos banhistas, mesmo aqueles que já deram de cara com o "portão fechado". — Na semana passada, viemos de noite passar a madrugada na praia, ver o nascer do sol e curtir o início da manhã. Íamos para o Arpoador, mas estava fechado. Acabamos vindo para Copacabana vimos o nascer do sol aqui mesmo. Mas aprovo essa medida, com certeza — conta Maria Luíza Oliveira. Initial plugin text