O Irã está preparado para uma guerra e também pronto para negociar, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Abás Araqchi, depois que Washington declarou que o governo iraniano busca conversações para evitar uma intervenção militar em razão da repressão aos protestos. Contexto: Manifestantes desafiam governo e protestos se intensificam no Irã Entenda: Irã ameaça alvos dos EUA e de Israel se houver ataque americano O Irã “não busca a guerra, mas está totalmente preparado”, disse Araqchi, em uma conferência com embaixadores estrangeiros em Teerã. “Também estamos prontos para negociar, mas as negociações devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo”. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a avaliar de forma mais concreta possíveis respostas à repressão do regime iraniano contra manifestações antigovernamentais que já deixaram centenas de mortos desde o início dos protestos, há cerca de duas semanas, segundo funcionários em Washington familiarizados com o assunto em relatos ao New York Times. Auxiliares do governo americano preparam briefings com opções que vão de sanções e ações cibernéticas a eventuais ataques militares, enquanto Trump endurece o discurso público e afirma estar disposto a agir caso Teerã continue usando força letal contra civis. As manifestações começaram como protestos contra o aumento do custo de vida, em meio a uma grave crise econômica, mas rapidamente se transformaram em um movimento de contestação ao regime teocrático que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Desde então, os atos se espalharam por várias cidades, incluindo Teerã e Mashhad, apesar de um bloqueio quase total da internet imposto pelas autoridades, que dificulta a comunicação e a verificação das informações. Segundo a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, ao menos 192 manifestantes morreram desde o início das mobilizações, incluindo nove menores de idade. A entidade afirma que o número real pode ser maior, já que o apagão da internet impede a confirmação de novos casos. Já de acordo com a Hrana, ONG sediada nos EUA, pelo menos 538 pessoas teriam sido mortas, sendo 490 manifestantes e 48 membros de forças de segurança. O número de presos, conforme a mesma fonte, ultrapassa os 10 mil. As organizações apontam para hospitais sobrecarregados, falta de sangue e feridos com disparos, inclusive nos olhos. É nesse contexto que Trump tem elevado o tom. Em publicações nas redes sociais, o republicano afirmou que “o Irã está olhando para a liberdade, talvez como nunca antes” e declarou que os Estados Unidos “estão prontos para ajudar”. Em declarações a jornalistas, foi mais direto: disse que, se o regime iraniano voltar a “matar pessoas como no passado”, os EUA “se envolverão”, ainda que sem o envio de tropas. — E isso não significa tropas em terra, mas significa atingi-los muito, muito duro onde dói — disse.