Niterói tem seis mortes violentas nos seis primeiros dias do ano

Niterói registrou um início de ano violento, com ao menos seis pessoas mortas em troca de tiros ou assassinadas entre os dias 1º e 7 de janeiro. O balanço reflete a escalada de confrontos armados na cidade, principalmente em bairros da Zona Norte, como Fonseca e Engenhoca, mas que também ecoa na Zona Sul e no Centro, a exemplo dos morros do Estado e do Preventório. Em Niterói: Influenciadores que estariam pescando caranguejos em reserva ambiental são detidos Entrada gratuita: exposições em Niterói mostram retratos do Ingá a grandes metrópoles urbanas A explicação para este aumento da letalidade está na disputa territorial: o avanço do Terceiro Comando Puro (TCP) sobre áreas historicamente controladas pelo Comando Vermelho (CV). Segundo dados do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), o CV chegou a dominar quase 100% das comunidades na cidade no ano passado. Um dos últimos confrontos entre as duas facções criminosas ocorreu no último dia 3, quando moradores relataram uma intensa troca de tiros em diversas comunidades do Fonseca, entre elas Coreia, Santo Cristo, Palmeira e Pimba. — Estamos escondidas no guarda-roupas, é muito tiro, meu Deus do céu, dá para ouvir elas (as balas) acertando o mato aqui de casa — relatou no momento do tiroteio uma moradora da Palmeira que não quis se identificar. Na noite do dia anterior, Adiones Ramos dos Santos foi morto a tiros na Rua São Januário, na altura do número 210, em frente a uma igreja. A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH-NSG) investiga o caso. Relatos de moradores apontam que a vítima seria responsável pela instalação de serviços clandestinos de internet e TV (gatonet) na região. Entenda: Centro de Niterói tem mudanças no trânsito e orla de Piratininga terá interdições em alguns dias do verão Outros moradores reclamam do impacto na rotina devido aos intensos confrontos entre traficantes. — Não aguento mais ficar deitada no cantinho de casa por conta dos tiros. A gente fica sem dormir, cansada e tendo que ficar abaixado com a cabeça colada no chão — disse outra moradora da Palmeira. Um dia depois, no domingo (4), na Rua Fagundes Varela — um dos principais acessos ao Morro do Estado —, Adonai Braga da Silva, que estava sozinho numa moto, também foi executado a tiros. Já na madrugada da última terça-feira, três bandidos morreram durante tiroteio com policiais militares do 12º BPM (Niterói) na mesma Rua São Januário onde Adiones foi assassinado, após o grupo de criminosos, que estava em um carro, furar um bloqueio policial e efetuar disparos contra os agentes. Entre os mortos estava Welvison Aureliano Leal, conhecido como Galo, apontado pela PM como chefe do tráfico do TCP na comunidade do Santo Cristo e um dos principais responsáveis pelos últimos ataques a comunidades do Fonseca dominadas pelo CV. Outros dois criminosos que estavam no carro ficaram feridos e foram encaminhados para o Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca. Um deles segue internado em estado estável e está sob custódia da polícia, já o outro foi conduzido para a 76ª DP (Centro), onde foi autuado pelo crime de porte ilegal de arma de fogo. Veja avaliações: Praias de Niterói têm melhora na balneabilidade em 2025 Na tarde do mesmo dia, cerca de 250 agentes de diversos batalhões da Polícia Militar realizaram uma operação conjunta nas comunidades da Nova Brasília (Engenhoca), Vila Ipiranga, Palmeira, Santo Cristo, Coronel Leôncio, Coreia e Pimba (Fonseca). De acordo com balanço da operação divulgado pela PM, durante a ação um criminoso foi morto após trocar tiros com policiais na comunidade Nova Brasília, totalizando seis mortes por disparos de arma de fogo nos seis primeiros dias do ano. Segundo dados do aplicativo Onde Tem Tiroteio (OTT), Niterói foi a segunda cidade do estado do Rio com mais troca de tiros registrados na última semana: foram seis ocorrências. Ainda de acordo com a plataforma, nos primeiros nove dias de janeiro, o bairro do Fonseca foi o segundo do estado com mais tiroteios: foram nove registros, um a menos do que Costa Barros, bairro da Zona Norte da capital que ficou em primeiro lugar. Polícias e prefeitura Ao GLOBO-Niterói, a Polícia Militar informou que atua de forma contínua e integrada em Niterói, com foco na prevenção da criminalidade e na repressão qualificada ao crime organizado. Em nota, a PM destacou que nos últimos meses intensificou o patrulhamento preventivo no interior e no entorno das comunidades, resultando em prisões e apreensões de armamento. “A PMERJ também mantém policiamento ostensivo reforçado, emprego de blindados, retirada de barricadas e trabalha com monitoramento contínuo das dinâmicas criminosas nas comunidades dos bairros do Fonseca, Engenhoca, Morro do Estado e demais áreas sensíveis do município”, conclui a nota. Já a Polícia Civil ressaltou que a instituição trabalha em conjunto com a PM para coibir toda ação criminosa na cidade, como as guerras territoriais promovidas pelas facções criminosas. Por sua vez, a prefeitura de Niterói destacou que embora a segurança pública seja atribuição do governo do estado, o investimento no setor tem sido pesado nos últimos anos. “A prefeitura apoiou várias ações, nas últimas semanas, da Polícia Civil e da Polícia Militar que resultaram em diversas prisões de criminosos envolvidos nos tiroteios no Fonseca, além da apreensão de armas e drogas na região. O objetivo principal é a estabilização da segurança pública na região e combater tentativas de domínio de territórios”, disse em nota. Initial plugin text