Jovens se reencontram pela primeira vez depois de acidente em trilha do Paraná O jovem Roberto Farias, de 19 anos, que passou cinco dias perdido no Pico Paraná, no Paraná, relatou o desespero ao escorregar por um penhasco durante a descida da montanha e tentar, sem sucesso, subir de volta gritando por socorro. "Tentei voltar pra cima com toda força, puxava, gritava socorro", lembrou o jovem em entrevista exclusiva ao Fantástico (veja no vídeo acima). O episódio marcou o início de uma luta pela sobrevivência no ponto mais alto do Sul do Brasil, após ele se separar da parceira de trilha, com quem tinha decidido passar a virada do ano. A história de Roberto começou no dia 31 de dezembro, quando ele saiu de casa com um plano que parecia simples: fazer uma trilha com uma amiga e ver o primeiro amanhecer de 2026 no topo do Pico Paraná, que tem 1.877 metros de altitude e fica em um parque estadual administrado pelo Instituto Água e Terra (IAT), na Serra do Mar. Depois da primeira noite de sono em casa, já resgatado, Roberto ainda apresentava sinais do que viveu: inchaço, roxos e dores pelo corpo. “O que eu passei foi milagre”, resumiu. Ele contou que, durante os dias na mata, a sede foi uma das maiores dificuldades. “Toda hora eu falava: ‘quando chegar eu quero virar isso aqui de água’.” Segundo o relato, Roberto e Taiane, amiga que ele conhecia havia cerca de dois meses, chegaram juntos ao topo da montanha. Na descida, porém, ele passou mal, vomitou, ficou desidratado e acabou andando mais devagar. Em determinado momento, os dois se separaram. Taiane seguiu com outro grupo, acreditando que ele conseguiria chegar ao acampamento. Foi então que Roberto errou o caminho. Em um trecho com sinalização precária, ele escorregou e deslizou por um penhasco. “Tinha uma parte que estava sinalizada e outra não. Eu tentei voltar pra cima com toda a força, puxava, gritava socorro, mas não conseguia”, contou. As buscas começaram no mesmo dia, com a atuação de bombeiros e voluntários, mas ele não foi encontrado. Roberto acabou percorrendo mais de 20 quilômetros em terreno acidentado, entre pedras e cachoeiras, em uma região conhecida como Cela. Em um dos trechos, precisou descer um penhasco e saltar em uma cachoeira. Segundo os bombeiros, foi a primeira vez que alguém conseguiu passar pelo local sem equipamento. Durante a travessia, ele perdeu a bota, o óculos — e tem problema de visão — e contou apenas com conhecimentos básicos de primeiros socorros e muito controle emocional. “Bate o nervosismo, não saber se está no caminho certo. Mas eu falei: ‘não, vou chegar no meu destino, quero encontrar minha família’”, disse. No quinto dia, Roberto conseguiu sair da mata e chegou a uma fazenda, onde foi socorrido por dois funcionários. Câmeras de segurança registraram o momento. Depois, ele voltou ao local para agradecer e também procurou o Grupo de Operações de Socorro Tático (GHOST), que participou das buscas. O comandante fez um alerta: em casos assim, o ideal é permanecer parado em local seguro. “Se tivesse ficado no lugar, uma equipe teria encontrado você naquele mesmo dia.” O caso também levantou discussões sobre segurança. Roberto afirma que ele e Taiane fizeram um cadastro em uma fazenda ao lado do parque, mas entraram pelo parque e tiveram o acesso liberado mesmo após o horário permitido. Em nota, o IAT reforçou que o cadastro é obrigatório e que o acesso deve ocorrer apenas por vias legais e dentro do horário estabelecido. Após o resgate, a mobilização ajudou a reaproximar a família de Roberto. “A nossa família estava muito quebrada, cada um para um lado. Foi a reconciliação”, disse o pai. Para o jovem, a experiência deixou uma lição. “É uma nova chance. A vida é uma só e a gente tem que aproveitar o bom dela.” Dias depois, Roberto e Taiane se reencontraram em uma praça de Curitiba. Houve pedido de desculpas, mas os dois decidiram seguir caminhos diferentes. “Se eu não tivesse deixado ele para trás, nada disso teria acontecido”, disse ela. “Nosso laço se encerra aqui”, concluiu Roberto. Um jovem de 19 anos passou cinco dias perdido na Serra do Mar, no Paraná, depois de se separar da parceira durante uma trilha no Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil. A história, que mobilizou bombeiros e voluntários, foi mostrada com exclusividade pelo Fantástico, neste domingo (11). Roberto Farias saiu de casa no dia 31 de dezembro com um plano simples: ver o primeiro amanhecer de 2026 no topo da montanha. Ele estava acompanhado de Thayane Smith, amiga que conheceu dois meses antes. Mas o que começou como uma aventura terminou em uma luta pela sobrevivência. O Pico Paraná tem 1.877 metros de altitude, é o maior do sul do Brasil e fica em um parque estadual administrado pelo Instituto Água e Terra (IAT). A trilha é longa e exige preparo. Roberto admite que não estava pronto para o desafio. "Eu, pela falta da capacidade ali, de conhecimento em geral do local… não ter ido com um instrutor foi um erro também, com alguém que conhece a trilha", admite Roberto. Os dois chegaram juntos ao topo e fizeram promessas para o novo ano. Mas, na descida, Roberto passou mal e ficou para trás. Thayane seguiu com outro grupo. Em uma encruzilhada, ele errou o caminho e caiu em um penhasco. “Tentei subir de volta com toda a força, gritava por socorro, mas não conseguia”, contou. As buscas começaram no mesmo dia, mas Roberto não foi encontrado. Ele percorreu mais de 20 quilômetros em terreno acidentado, entre pedras e cachoeiras. Sem bota, sem óculos e com pouca comida, usou o que sabia de primeiros socorros e manteve a calma. “Me controlei, eu falei, não, eu vou chegar no meu destino, eu quero encontrar minha família”, disse. No quinto dia, Roberto conseguiu sair da mata e chegou a uma fazenda, onde foi socorrido por dois funcionários. Câmeras registraram o momento. “Para quem ficou todos esses dias na mata, chegou muito bem”, disse um deles. Depois, Roberto fez questão de voltar para agradecer. Roberto Farias e Thayane Smith se reencontram pela primeira vez após trilha no Pico Paraná. TV Globo/Reprodução Ele também agradeceu aos bombeiros do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), que participaram das buscas. O comandante deu um alerta: em casos assim, o melhor é ficar parado em local seguro e esperar por ajuda. “Se você tivesse ficado no lugar, duas horas da tarde tinha uma equipe nossa aqui já descendo, ela tinha encontrado você naquele mesmo dia”, afirmou o comandante. A mobilização para encontrar Roberto reuniu a família, que estava afastada. “Foi a reconciliação”, disse a irmã, Renata. Em casa, com o pai, as irmãs e os sobrinhos, Roberto celebrou a vida. “É uma nova chance. A vida é uma só e a gente tem que aproveitar o bom dela”, afirmou. Parceiros se reencontram, mas seguem caminhos diferentes A aventura também levantou questionamentos sobre segurança. Roberto diz que ele e Thayane fizeram cadastro em uma fazenda vizinha ao parque e pagaram R$ 30 para usar o banheiro. Segundo ele, o acesso à trilha foi liberado mesmo após o horário permitido. Em nota, o IAT reforçou que o cadastro deve ser feito na base do parque e que o acesso só é permitido por vias legais e dentro do horário. Depois do Réveillon na montanha, Roberto e Thayane não voltaram a se falar. O reencontro aconteceu em uma praça de Curitiba. Entre pedidos de desculpa e silêncio, os dois decidiram seguir caminhos diferentes. "Desculpa por ter deixado você para trás. Não imaginei que isso ia acontecer", disse Thayane. "Olha, eu peço a Deus que ele tenha te deixado no acampamento bem e salvo." “Foi um belo nascer do sol de 2026”, disse Roberto. Mas a lição ficou: preparo e segurança são essenciais para quem se aventura na natureza. "Eu confiei em você. E o que eu tenho pra dizer é se cuida, Deus te abençoe muito", comenta Roberto. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.