Europeus discutem enviar tropas à Groenlândia, diz agência; premiê da Dinamarca diz que não fará concessões em reunião com EUA

Europa prepara plano para caso de invasão dos EUA à Groenlândia Um grupo de países europeus está discutindo planos para reforçar sua presença militar na Groenlândia para fazer frente às ameaças de anexação feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou a agência de notícias norte-americana Bloomberg no domingo (11). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo a Bloomberg, a iniciativa está sendo liderada pelo Reino Unido e pela Alemanha e visa mostrar a Trump que a Europa está levando a sério a segurança no Ártico. A Alemanha vai propor a criação de uma missão conjunta da Otan para proteger a região do Ártico, afirmaram à Bloomberg fontes familiarizadas com os planos. O presidente norte-americano, Donald Trump, realiza uma investida para tornar a Groenlândia, uma ilha do Ártico que pertence à Dinamarca, parte dos EUA. O presidente norte-americano sugeriu na semana passada que estaria disposto a sacrificar a Otan, da qual os EUA e a Dinamarca fazem parte, para que a ilha do Ártico se torne parte dos EUA. (Leia mais abaixo) Trump disse na sexta-feira que os Estados Unidos precisam ser donos da Groenlândia para impedir que a Rússia ou a China a ocupem no futuro. Ele afirmou repetidamente que embarcações russas e chinesas estão operando perto da Groenlândia, algo que países nórdicos rejeitaram. Ao mesmo tempo em que Trump faz ameaças militares à Groenlândia e troca ameaças com os europeus, a Casa Branca trabalha também com outra via, para comprar adquirir a ilha. O secretário de Estado, Marco Rubio, vai receber líderes dinamarqueses e groenlandeses em Washington D.C. nesta semana para discutir as possibilidades. Trump diz estar disposto a sacrificar a Otan pela Groenlândia O presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso para republicanos da câmara dos EUA Kevin Lamarque/Reuters Trump disse na semana passada ao jornal norte-americano "The New York Times" que quer integrar a Groenlândia aos EUA mesmo que isso coloque em risco a existência da Otan e que "não precisa" do direito internacional. A fala de Trump é mais um capítulo da sua investida para controlar a ilha do Ártico, que pertence à Dinamarca, e escala ainda mais as tensões com a Europa. O presidente norte-americano quer adquirir a Groenlândia "porque é isso que eu sinto ser psicologicamente necessário para o sucesso", disse ao "New York Times". A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta semana que um ataque dos EUA à Groenlândia significaria o fim da Aliança Militar do Atlântico Norte —formada após a Guerra Fria e fundamental para a defesa europeia. Especialistas avaliam que a investida de Trump já está impactando a coesão da Otan. A Europa, inclusive, está preparando um plano de ação para caso Trump materialize suas ameaças de tomar a Groenlândia. Ainda não se sabe detalhes do plano, além de que ele inclui a França e a Alemanha —faz sentido que a Dinamarca, por ser responsável pela ilha, esteja envolvida. A Casa Branca afirmou nesta semana que Trump quer comprar a Groenlândia, mas que não descarta o uso da força militar caso julgue necessário. Segundo a agência de notícias Reuters, o governo Trump está considerando oferecer até US$ 100 mil (cerca de R$ 540 mil) para cada habitante da Groenlândia que apoie a anexação da ilha pelos EUA. (Leia mais abaixo) Trump também afirmou ao jornal norte-americano acreditar que seus poderes como presidente dos EUA "se limitam apenas à sua própria moralidade" e que ele "não precisa" do direito internacional. Essa fala de Trump descartando o direito internacional, regulamentado por instituições multilaterais como a ONU e que rege o mundo pós-2ª Guerra Mundial, encaixa com a interpretação de uma nova ordem mundial que, segundo especialistas ouvidos pelo g1, está se formando. Nessa nova ordem, bipolar com EUA e China à frente, essas potências econômicas têm demonstrado a intenção de expandir seus territórios por meio de ações concretas. Trump quer comprar Groenlândia, diz Casa Branca Donald Trump Jr. chegou há poucos dias a Nuuk, na Groenlândia Emil Stach/Ritzau Scanpix/via REUTERS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera fazer uma oferta para comprar a Groenlândia, informou a Casa Branca nesta quarta-feira (7). A iniciativa ocorre apesar de a população da ilha afirmar que o território não está à venda. Trump também se recusa a descartar o uso da força para assumir o controle da ilha, considerada estratégica no Ártico. As declarações causaram reação negativa na Dinamarca e em outros aliados europeus dos Estados Unidos. Após pedido da Dinamarca, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que vai se reunir na próxima semana com representantes do país. “Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Vamos participar. Pedimos uma reunião”, afirmou a ministra Vivian Motzfeldt à TV pública local. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump discute “ativamente” com a equipe a possibilidade de compra da Groenlândia, que tem área aproximada à do Alasca, maior estado americano. Segundo ela, o presidente avalia que a medida serviria para conter a influência da Rússia e da China no Ártico. Leavitt afirmou que a opção preferencial de Trump é a diplomacia, mas não descartou o uso da força. O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, disse não ter conhecimento de planos de envio de tropas à Groenlândia. Segundo ele, não há discussões sobre ação militar, e o foco estaria em canais diplomáticos. Johnson afirmou, no entanto, que não foi informado previamente sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Desde então, Trump fez ameaças de intervenção em Cuba, Groenlândia, Irã, México e Colômbia. LEIA TAMBÉM Quais os riscos para a Otan da campanha de Trump para anexar a Groenlândia? Interesse dos EUA pela Groenlândia remonta ao século XIX: entenda o que está por trás disso Groenlândia ameaçada e 'fim da Otan': entenda o que Trump disse sobre o território e como a Europa está reagindo Foco em 'verdadeiras ameaças' O senador republicano Thom Tillis criticou as declarações do presidente, em nota conjunta com a democrata Jeanne Shaheen, principal representante do partido no Comitê de Relações Exteriores do Senado. "Quando Dinamarca e Groenlândia deixam claro que a ilha não está à venda, os Estados Unidos devem cumprir suas obrigações e respeitar a soberania e integridade territorial do reino da Dinamarca", declararam os políticos. "Devemos nos manter focados nas verdadeiras ameaças e trabalhar com nossos aliados, não contra eles, para fortalecer nossa segurança compartilhada." O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reforçou que a ilha não está à venda e que somente os seus 57 mil habitantes podem decidir o futuro do território. A Groenlândia tem status semiautônomo, mas permanece sob soberania da Dinamarca. Na segunda-feira (7), a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que um ataque militar de um país da Otan contra outro colocaria em risco a aliança e o sistema de segurança criado após a Segunda Guerra Mundial. A Dinamarca é membro fundador da Otan e aliada histórica dos Estados Unidos. O país participou do envio de tropas para apoiar a invasão americana ao Iraque, em 2003. Trump, por sua vez, tem feito críticas à Otan. O presidente afirmou que a aliança beneficia países menores às custas da segurança americana. "Sempre estaremos ao lado da Otan, embora eles não estejam ao nosso lado", publicou o presidente na rede Truth Social. VÍDEOS: em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1