Como música de Gretchen lançada nos anos 70 voltou a viralizar e entrou no radar do carnaval de 2026

Lançada no fim da década de 1970, "Freak Le Boom Boom", de Gretchen, voltou inesperadamente ao centro das atenções mais de 40 anos depois. A música ressurgiu nas últimas semanas nas redes sociais, nas plataformas de streaming e até nas apostas informais para o carnaval de 2026, após a circulação de um vídeo antigo da cantora no "Programa do Gugu". Saiba mais: Mattel lança Barbie que representa o espectro autista e amplia linha de diversidade Confira: Carta deixada por Isabel Veloso ao filho ganha novo significado após morte da influenciadora O episódio reacendeu o interesse por um repertório que atravessa gerações e evidencia como a internet tem redefinido a lógica de consumo musical no Brasil. Em menos de uma semana, a faixa registrou crescimento de cerca de 10% no Spotify, saltando de aproximadamente 900 mil para 990 mil streams. Mais do que o volume absoluto, chama atenção a velocidade da retomada — um desempenho incomum para canções lançadas há mais de quatro décadas. A onda de nostalgia também estimulou o resgate de outros registros históricos da artista, que voltaram a circular em trechos de programas como "Planeta Xuxa" e "Domingo Legal". A redescoberta reforça a presença de Gretchen no imaginário digital contemporâneo, agora mediado por novas linguagens, recortes e públicos. Para Janeth Lujo, cofundadora da Lujo Network e especialista em distribuição digital, o fenômeno ajuda a compreender como as plataformas romperam definitivamente a barreira do tempo na música. "Esse movimento só reforça o quanto a internet tem força para impulsionar músicas, independente de quão antiga ela for. Hoje, o algoritmo responde ao comportamento das pessoas, não à data de lançamento", destaca. Initial plugin text O retorno de "Freak Le Boom Boom" chama atenção por não estar associado a uma estratégia formal de relançamento ou a uma campanha de marketing estruturada. A viralização ocorreu de forma orgânica, impulsionada por um resgate coletivo nas redes sociais, onde vídeos antigos ganham novas legendas, novos sentidos e passam a dialogar com um público que sequer era nascido quando a música tocava nas rádios. Esse tipo de redescoberta está longe de ser um caso isolado. A indústria musical tem acompanhado movimentos semelhantes em escala global. Em 2022, "Running Up That Hill", lançada por Kate Bush em 1985, voltou ao topo das paradas após integrar a trilha sonora da série "Stranger Things". A canção liderou rankings do Spotify e do iTunes, evidenciando como produtos audiovisuais e redes sociais são capazes de reposicionar músicas antigas como sucessos contemporâneos. A importância da repetição em estratégias musicais No contexto brasileiro, o caso de Gretchen ganha um contorno cultural particular. A artista nunca deixou de incluir "Freak Le Boom Boom" em seus shows, mas foi a internet que, agora, escolheu reposicionar a faixa como símbolo de diversão, nostalgia e energia carnavalesca. O processo revela como o ambiente digital não apenas revive o passado, mas o reorganiza, criando novas hierarquias dentro da própria obra de um artista e redefinindo quais músicas passam a ocupar o centro da conversa. Impulsionada pelo novo fôlego, Gretchen já sinalizou a intenção de revisitar sucessos de sua carreira, incluindo o relançamento de "Tcha Tcha Tcha Boom Boom" em uma nova versão. A movimentação reforça uma tendência cada vez mais clara no mercado fonográfico: catálogos antigos tornaram-se ativos estratégicos, capazes de dialogar com novas audiências quando encontram o gatilho certo nas redes. O poder do ouvinte aumentou Para Janeth Lujo, o retorno de "Freak Le Boom Boom" também ilustra como a lógica dos hits de Carnaval se transformou. "Hoje, o hit carnavalesco não nasce apenas do estúdio ou do rádio. Ele surge da interação entre memória, rede social e comportamento digital. Às vezes, basta um vídeo certo para uma música atravessar décadas e voltar ao centro da conversa", afirmou. "Se vai ou não se consagrar como hit do Carnaval de 2026, o tempo dirá. Mas o caso já deixa claro que, na era digital, nenhuma música está realmente presa ao passado", completou.