"Emoção arretada", diz Wagner Moura sobre prêmios no Globo de Ouro O ator baiano Wagner Moura, que venceu, no domingo (11), o prêmio de melhor ator em filme de drama no Globo de Ouro 2026 por "O Agente Secreto", foi um dos moradores que deixaram a cidade de Rodelas, no interior da Bahia, por causa da construção da Hidrelétrica de Itaparica nos anos 80. Por causa da construção do equipamento, a cidade que Wagner morava foi parcialmente inundada e a família dele, assim como todas as outras do município, teve que se mudar para Nova Rodelas, que foi construída para isso. Bahia manda recado a Wagner Moura, torcedor do rival Vitória, por prêmio no Globo de Ouro Na época, Wagner Moura tinha 11 anos e chegou a ser entrevistado por uma emissora de televisão, com lama no rosto. A reportagem viralizou nas redes sociais depois dele crescer e virar ator. "Não estava com vontade me mudar não, mas agora que já mudei... É legal, melhor que aqui. Não, nem tudo... Porque aqui é o lugar que a gente brinca, sempre se diverte, já tem as coisas tudo, que a gente já sabe tudo. Lá é tudo estranho para a gente. Aqui a gente joga bola e brinca de se esconder", disse na época ao ser perguntado se tinha gostado de se mudar. Wagner Moura no Globo de Ouro AP Photo/Chris Pizzello Natural de Salvador, o ator passou parte da infância em Rodelas, no interior do estado. Durante a adolescência, ao retornar à capital baiana, iniciou sua carreira no teatro. Wagner também se formou em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Aos 16 anos, ele já atuava nos palcos de Salvador e participou de peças como Cuida Bem de Mim e A Casa de Eros. Em 1997, sua performance em Abismo de Rosas, dirigida por Fernando Guerreiro, lhe rendeu o prêmio Revelação no Prêmio Braskem de Teatro. O reconhecimento nacional veio com a peça A Máquina, de João Falcão, em 2000, em que atuou ao lado de Lázaro Ramos e Vladimir Brichta. O espetáculo abriu portas para Wagner Moura no cinema e na televisão. Em 2007, ele interpretou o personagem Boca no filme Ó Paí, Ó, que foi gravado no Pelourinho, em Salvador, e protagonizado por Lázaro Ramos. Os artistas possuem uma forte ligação e são amigos de longas datas. Wagner Moura e Lázaro Ramos em cena de 'Ó, Paí, Ó' Reprodução Os dois ainda gravaram juntos o programa Sexo Frágil, na TV Globo, em 2003. Lázaro Ramos interpretou o personagem Fred e Wagner Moura, Edu. Também faziam parte da trama Bruno Garcia, como Alex, e Lúcio Mauro Filho, que fazia Beto. Os quatro eram amigos que se esforçavam para entender o "universo das mulheres". Em 2023, Lázaro Ramos publicou uma foto nostálgica com Wagner diretamente de 2003, durante as gravações do programa. [Veja abaixo] "Exatos 20 anos depois, olha aí! Lazinho e Wagner novinhos em 2003, durante as gravações do programa Sexo Frágil. Época de muitas risadas, amizades novas e fortalecimento das antigas e muito aprendizado", relembrou o artista. Lázaro Ramos publica foto nostálgica em programa com Wagner Moura e agita as redes sociais Reprodução/Redes Sociais Também na legenda da foto, Lázaro Ramos revelou que ficou muito feliz com a foto enviada pelo amigo Pino Gomes, que segundo ele "tirou lá do fundo do baú" e o deixou nostálgico. Em 2021, Wagner Moura dirigiu, roteirizou e produziu o filme Marighella, que conta a história do baiano Carlos Marighella: guerrilheiro, político e escritor, assassinado em uma emboscada, pela ditadura militar, em 1969. Em entrevista ao g1, Wagner falou sobre a censura que sofreu pelo governo federal, no período de captação de recursos, por meio da Agência Nacional do Cinema (Ancine). "Nós queríamos que o lançamento aqui fosse em 2019, e não foi porque o filme foi censurado mesmo, eu não tenho problema nenhum de dizer isso. Há vários indícios da má vontade desse governo com projetos específicos. O próprio Bolsonaro falava que a Ancine tinha que ser filtrada. Então, eu não consigo descontextualizar a não-estreia de Marighella e a forma com que, burocraticamente, o filme foi impedido de estrear quando nós queríamos, com o contexto anticultura e antidireitos humanos que o Brasil vive", disse o ator na ocasião. No ano passado, o ator baiano conquistou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes também por sua atuação em O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. O longa, ambientado durante a ditadura militar brasileira, destaca-se por sua abordagem estilizada e crítica à repressão política da época. Wagner Moura venceu prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes 2025 por sua atuação em O Agente Secreto Divulgação Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia