O atual cenário venezuelano tem potenciais efeitos diretos e crescentes sobre o Brasil, especialmente diante das postura do governo Lula em relação à segurança e imigração. Segundo o deputado federal Luis Phillipe de Orleans e Bragança (PL-SP), o país pode se tornar o principal destino de integrantes do regime do ex-ditador Nicolás Maduro e de estruturas ligadas ao crime organizado, que ainda dominam a Venezuela. “O impacto vai transbordar para o Brasil de uma maneira inevitável”, disse o parlamentar, em entrevista ao Jornal da Oeste 1ª Edição nesta segunda-feira, 12. O cerco internacional à Venezuela, explicou, empurra o fluxo migratório para a fronteira brasileira. + Leia mais notícias de Política em Oeste Enquanto “tudo ao redor da Venezuela já tem monitoramento dos Estados Unidos” nas fronteiras marítimas, disse Orleans e Bragança, o Brasil permanece no papel de rota mais acessível. “A única parte que não tem nenhum controle, muito pelo contrário, está de braços abertos a receber narcotraficantes, é a fronteira do Brasil com a Venezuela.” Fronteira da Venezuela com o Brasil, em Roraima | Foto: Reprodução/ Wikipedia O deputado aponta as brechas na política migratória brasileira e o alinhamento do governo federal com o regime chavista. “A lei de migração brasileira é completamente frouxa”, pois não diferencia migrantes comuns de criminosos, afirma. O atual sistema permite que qualquer pessoa cruze a fronteira e seja regularizada. “Basta entrar pela fronteira, dizer um nome qualquer, que imediatamente é aceito pelo governo brasileiro, ganha a documentação e nós não podemos extraditá-los ou deportá-los”, explicou. Orleans e Bragança diferencia os refugiados verdadeiros dos criminosos. “Precisamos fazer uma distinção entre a migração positiva e a negativa.” A negativa seria composta por pessoas vinculadas ao narcotráfico e aliados de Maduro, enquanto a positiva são os cidadãos venezuelanos que fogem da opressão ditatorial. https://twitter.com/Fabiocbv/status/2007618095201014048 Trump mudou de postura em relação à Venezuela, diz deputado O parlamentar também relacionou o cenário venezuelano a mudanças recentes na política externa dos Estados Unidos. Segundo ele, o governo de Donald Trump teria adotado uma postura mais negociadora com governos da região, inclusive o brasileiro, mas a situação da Venezuela seria distinta. "O governo Trump está em uma nova vertente, muito pelo Plano Nacional de Segurança que eles mesmos publicaram. E essa nova vertente é de negociação com governos e com as estruturas existentes, não é de substituição de regime", afirmou. "No início me parecia que o governo Trump seria muito mais interventor do que está sendo agora, por incrível que pareça." Para Orleans e Bragança, Washington vai querer negociar com a liderança interina da Venezuela assim como está negociando com o governo brasileiro. "Já tirou a lei Magnitsky do ministro Alexandre de Moraes e está negociando com o governo Lula. Se o governo Lula atender o que o governo Trump quer, então eu não vejo tanta intenção de derrubar o regime", avalia. Ainda assim, o deputado vê margem para uma postura mais incisiva da Casa Branca , dada a associação intrínseca do regime chavista com o narcotráfico — o próprio Nicolás Maduro era apontado como chefe do Cartel de Los Soles . "Praticamente todo o sistema é comandado por esses narcotraficantes", resumiu Orleans e Bragança. O post Deputado alerta para impacto da situação na Venezuela sobre o Brasil apareceu primeiro em Revista Oeste .