Experimentar uma sensação de risco é o principal objetivo das pessoas ao assistir a um filme de terror, ao se assustarem com um jogo de suspense ou ao ficarem por um momento no topo de uma montanha-russa. Técnica usa gel transparente: injeção ocular pioneira devolve visão a pacientes e evita cegueira Além do Mounjaro: 2026 terá novas e mais potentes drogas para perda de peso; veja quais Em contrapartida, especialistas em psicologia, neurociência e cinema explicam que, de uma perspectiva biológica, essa emoção básica surge quando o cérebro detecta ou percebe uma ameaça imediata que exige ação. Segundo Pedro Maldonado, professor do Departamento de Neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, quando o medo está presente, “a adrenalina é liberada, os pelos se arrepiam, a temperatura corporal aumenta, o fluxo sanguíneo para o estômago diminui e nos concentramos”. No entanto, há mais do que apenas reações fisiológicas envolvidas. De acordo com um estudo publicado na revista 'Nature Human Behaviour', experiências intensas também têm uma base neurocientífica, já que algumas regiões do cérebro apresentam padrões de ativação em resposta a estímulos que combinam medo com prazer. Casamentos longos: as histórias e lições de casais juntos há mais de três décadas “Criamos produtos culturais que nos permitem ser vistos, que nos permitem representar a nós mesmos e que nos dão elementos para dar forma a esse efeito que nos transcende e que tem a ver com o terror”, afirma Danilo Sanhueza, psicanalista e acadêmico. O professor também destaca que esse comportamento é "bastante normal e lógico" dentro da natureza humana, principalmente porque faz parte do crescimento pessoal ter que enfrentar situações difíceis para se adaptar. O medo controlado se torna uma experiência gratificante Um artigo da Harvard Medical School (HMS) destaca que o cérebro desencadeia uma resposta imediata ao medo, mas a regula e extingue ao reconhecer a ausência de perigo real. “A amígdala é a protagonista nessa resposta, enviando sinais para outras áreas do cérebro para ativar as reações de luta ou fuga”, enfatiza o Instituto de Neurociências Aplicadas, referindo-se ao fato de que, durante séculos, o medo tem sido uma emoção essencial para a sobrevivência. Nesse sentido, Maldonado afirma que o medo faz parte de um processo natural, de modo que o cérebro provoca essa sensação por meio de pesadelos enquanto o corpo está em completo repouso. “Se analisarmos contos ou mitos tradicionais, até mesmo histórias infantis, eles sempre contêm um elemento aterrorizante, violento e catastrófico”, diz Sanhueza, que também acredita que o conteúdo que induz ao medo é uma forma de obter emoção e gratificação sem riscos.