Venezuela anuncia libertação de mais de cem presos políticos, mas ONG fala em 40

O Ministério do Serviço Penitenciário venezuelano informou nesta segunda-feira a libertação de 116 presos políticos, embora o número reportado até agora pela ONG especializada Foro Penal seja de 40. Isso faz parte de um processo de solturas anunciado na semana passada, após a captura do presidente deposto, Nicolás Maduro, num bombardeio dos EUA, na madrugada de 3 de janeiro. Desde então, o mandatário americano, Donald Trump, afirma que está no comando do país latino. No domingo, o republicano disse estar satisfeito com a sucessora do chavista, a presidente interina Delcy Rodríguez, e indicou que está disposto a se reunir com ela. Em paralelo, o republicano publicou em sua rede social uma imagem alterada de seu perfil no Wikipedia em que aparece como "presidente encarregado da Venezuela". Entenda: Com ataque dos EUA à Venezuela, China ganha argumento para endurecer posição na Ásia Relação: Venezuela anuncia retomada de contatos diplomáticos diretos com EUA O número de adversários do regime que foram libertados pode subir para 48 se forem incluídos partidos da oposição e outras ONGs. De acordo com o presidente da Foro Penal, Alfredo Romero, ao menos 24 presos políticos foram soltos na manhã desta segunda-feira, dentre eles 9 mulheres e 15 homens, e incluindo o cidadão italiano Alberto Trentini. Initial plugin text Antes, durante a noite, a mesma organização noticiou 15 solturas, mas os libertados não saíram pela porta principal. Familiares relatam que eles estão sendo levados para a sede do serviço de contrainteligência em Caracas para serem soltos. Este tem sido um processo lento e angustiante desde o primeiro anúncio na última quinta-feira. As famílias dos presos políticos se aglomeram em frente ao Helicoide, em Caracas, e ao Rodeo I, nos arredores da capital, à espera das libertações. Initial plugin text — O que outros familiares nos contam é que os levam para um lugar perto de El Rodeo, pedem que tirem o uniforme, dão roupa comum e até colocam perfume neles — disse à AFP Daniela Camacho, cujo marido, José Daniel Mendoza, foi detido há dois anos e meio. Seu pai, Manuel Mendoza, também estava lá. Ele viaja seis horas do estado de Yaracuy para ver o filho por apenas 20 minutos, uma vez por semana. — Se eles deram o passo de oferecer a libertação de todos os presos políticos, estamos apenas pedindo que cumpram a palavra que puseram sobre a mesa. Já são quatro dias ao relento, passando por dificuldades — protestou. No domingo, dia de visita, os familiares mantiveram o protocolo que cumpriram por anos. Levaram produtos de higiene, entraram na prisão encapuzados e depois viram seu familiar preso por meio de um vidro. — Estou muito feliz e esperançosa — contou Mireya Sierra, cujo marido e filho estão detidos em El Rodeo I há 11 meses por criticar o governo, acrescentando depois da visita que: — [Os detentos] estão muito contentes, mantendo a calma porque já sabem que a qualquer momento todos vão sair. Ainda nesta segunda-feira, o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, disse que transmitiu para Delcy "a necessidade de continuar libertando presos políticos", durante um telefonema na semana passada. Oposição vai ao Papa A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, pediu na segunda-feira ao Papa Leão XIII, durante uma audiência no Vaticano, que "intercedesse" em favor de mais de mil presos políticos em seu país. Papa Leão XIV durante uma audiência privada com a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz da Venezuela, María Corina Machado, no Vaticano VATICANO MEDIA / VATICANO MEDIA / AFP "Pedi a ele que intercedesse por todos os venezuelanos que continuam sequestrados e desaparecidos", disse Machado após a reunião, que ocorreu pouco mais de uma semana depois da deposição do líder autoritário Nicolás Maduro pelas forças armadas americanas. "Com o acompanhamento da Igreja e a pressão sem precedentes do Governo dos Estados Unidos, a derrota do mal no país está mais próxima", acrescentou ela em um comunicado publicado no X por sua equipe. (Com AFP)