Smithsonian remove texto que mencionava os impeachments de Trump

A National Portrait Gallery, do Smithsonian, removeu o texto exposto na parede que fazia referência aos dois pedidos de impeachment contra o presidente Trump — linguagem que havia irritado a Casa Branca — quando o museu recentemente substituiu um retrato dele na exposição “America’s Presidents”. O texto descrevia algumas das realizações políticas de Trump, incluindo a nomeação de três ministros da Suprema Corte, a promoção do desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 e seu “retorno histórico na eleição de 2024”, depois de ter perdido a eleição anterior para Joseph R. Biden Jr. Também incluía a seguinte frase: “Com dos pedidos de impeachment, sob acusações de abuso de poder e incitação à insurreição após apoiadores atacarem o Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021, ele foi absolvido pelo Senado em ambos os julgamentos.” Essa frase há muito tempo incomodava a administração Trump. Depois que Trump anunciou no ano passado que estava demitindo Kim Sajet, então diretora da National Portrait Gallery, a Casa Branca compilou uma lista de queixas contra ela, descrevendo o que chamou de evidências de partidarismo e viés. Entre esses pontos, fornecidos ao The New York Times, estava a frase sobre os impeachments, que agora foi retirada. A nova imagem, um retrato em preto e branco feito pelo fotógrafo da Casa Branca Daniel Torok, mostra o presidente no Salão Oval, olhando diretamente para a câmera, com os punhos apoiados na mesa Resolute. Quando Trump publicou a imagem nas redes sociais em outubro, escreveu: “No Salão Oval, me preparando para deixar nossa marca no mundo. FAÇA A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE!” Em um comunicado no sábado (10), Davis Ingle, porta-voz da Casa Branca, disse que se tratava de uma “foto icônica” do presidente e que “sua aura incomparável será vista e sentida por todos os corredores da National Portrait Gallery”. A National Portrait Gallery afirmou, em comunicado, que pendurou uma nova fotografia de Trump na quinta-feira (8) e estava iniciando uma atualização planejada da exposição “America’s Presidents”. “Para algumas novas exposições e mostras, o museu tem explorado o uso de citações ou legendas simplificadas, que fornecem apenas informações gerais, como o nome do artista”, disse o comunicado. “A história dos impeachments presidenciais continua a ser representada em nossos museus.” O novo texto na parede simplesmente identifica Trump como o 45º e o 47º presidente, informando que ele nasceu em 1946. De acordo com o site da National Portrait Gallery, o texto que acompanha o retrato oficial do presidente Bill Clinton observa que ele sofreu impeachment por “mentir sob juramento sobre um relacionamento sexual que teve com uma estagiária da Casa Branca”. No último ano, o Instituto Smithsonian tem sofrido pressão do governo Trump para apresentar uma visão predominantemente positiva da América. Em março, Trump emitiu uma ordem executiva, intitulada “Restaurando a Verdade e a Sanidade à História Americana”, que instruiu autoridades a examinar o complexo de museus em busca do que chamou de “ideologia imprópria”. O Smithsonian, há muito considerado independente do Poder Executivo, produziu apenas parte de uma longa lista de documentos solicitados pela Casa Branca, enquanto realiza uma revisão de suas exposições atuais e planejadas. Agora, enfrenta um novo ultimato para entregar todo o material solicitado até terça-feira (13), sob risco de possíveis cortes em seu orçamento de US$ 1 bilhão, que depende em grande parte de recursos federais. O interesse da Casa Branca na National Portrait Gallery foi motivado em parte pela recusa de Sajet em exibir um retrato triunfal de Trump — que o mostrava ao lado de um sol nascente e de uma águia-careca — durante sua primeira posse. O Smithsonian não levou adiante o anúncio de Trump de que havia demitido Sajet, afirmando publicamente que mantinha o controle sobre decisões de pessoal. Ainda assim, ela renunciou por conta própria, dizendo que a decisão era do melhor interesse da instituição. (O diretor interino do museu é Elliot Gruber.) As mudanças recentes na National Portrait Gallery foram noticiadas anteriormente pelo The Washington Post. O museu normalmente alterna fotografias do presidente até revelar uma pintura oficial depois que a pessoa deixa o cargo. O retrato mais recente substituiu uma fotografia colorida de Matt McClain, do Post, que mostrava Trump usando uma gravata vermelha contra um fundo preto. No ano passado, outro museu do Smithsonian, o Museu Nacional de História Americana, alterou a linguagem que descrevia os impeachments de Trump em uma exposição sobre a presidência americana. Em uma descrição do segundo impeachment de Trump, que afirma que ele foi acusado de “incitação à insurreição”, o Smithsonian removeu duas expressões: uma que descrevia “repetidas ‘declarações falsas’ contestando os resultados da eleição de 2020” e outra sobre um discurso do presidente que, segundo o texto, “encorajou — e previsivelmente resultou em — ação ilegal iminente no Capitólio”. O museu de história também acrescentou a palavra “suposta” a uma descrição do primeiro impeachment de Trump: “As acusações se concentraram na suposta solicitação do presidente por interferência estrangeira na eleição presidencial de 2020 e na desobediência a intimações do Congresso”. Na época, o Smithsonian afirmou ter “um compromisso inabalável com a erudição, a pesquisa rigorosa e a apresentação precisa e factual da história”. A exposição sobre a presidência americana inclui informações sobre os impeachments dos ex-presidentes Andrew Johnson e Bill Clinton.