A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse ao presidente dos EUA, Donald Trump, nesta segunda-feira, que a presença de tropas americanas no México "não está em discussão", em meio a novas ameaças do magnata republicano sobre uma intervenção no país latino. Venezuela: Trump diz estar disposto a se reunir com a presidente interina Afronta: Trump publica imagem em que aparece como 'presidente interino da Venezuela' Em ligação telefônica, realizada dias após as últimas ameaças de Trump, na quinta-feira, de "atacar os cartéis de drogas no México por terra". A fala do presidente americano ocorreu poucos dias depois de liderar ataques à Venezuela em operação militar que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Durante a conversa, que Sheinbaum descreveu como respeitosa, Trump perguntou sua opinião sobre a deposição de Maduro. — Eu disse a ele que esta é a nossa posição pública, que temos uma Constituição: que somos contra intervenções militares — relatou a presidente, acrescentando que não discutiram mais o assunto. Resumindo a conversa em sua coletiva de imprensa habitual, a presidente mexicana reiterou que Trump sugeriu a presença de tropas americanas no México para combater os cartéis. — Eu disse a ele: "Não, isso não está em discussão, mas continuaremos a colaborar dentro da estrutura da nossa soberania", disse Sheinbaum, reforçando uma posição que já havia expressado em outras ocasiões. Anteriormente, a presidente afirmou nas redes sociais que a conversa abordou “segurança com respeito às nossas soberanias, a redução do narcotráfico, comércio e investimento”. Sheinbaum explicou que solicitou a reunião depois que Trump ameaçou realizar ataques terrestres contra os cartéis, que, segundo ele, “controlam o México”. A presidente lembrou ao líder republicano os resultados alcançados por sua administração na luta contra o narcotráfico. — O fluxo de fentanil do México para os Estados Unidos foi reduzido em 50% (...). Mesmo as mortes relacionadas ao fentanil nos Estados Unidos diminuíram em aproximadamente 43% — disse ela. Initial plugin text Sheinbaum pediu ainda ao governo vizinho que controle o consumo e destacou a apreensão de laboratórios de drogas, a prisão de indivíduos ligados ao crime organizado e a redução dos homicídios no México. A questão da segurança tem sido repetidamente usada por Trump para ameaçar impor tarifas ao México e interromper as negociações do acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá (USMCA), previsto para 2026. Esse acordo é crucial para a economia mexicana, que destina 80% de suas exportações aos Estados Unidos.