Entenda a Lei Rouanet, que voltou ao debate nas redes após vitória de 'O Agente Secreto' no Globo de Ouro

Wagner Moura mostra Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama que ganhou por 'O agente secreto' Chris Pizzello/AP As vitórias de "O Agente Secreto" e do ator Wagner Moura na edição de 2026 do Globo de Ouro reavivaram o debate nas redes sociais – permeado por informações falsas – sobre a Lei Rouanet. Dirigida por Kleber Mendonça Filho, a produção recebeu o prêmio de melhor filme de língua não inglesa em cerimônia realizada neste domingo (11) nos Estados Unidos. Já Wagner Moura conquistou o Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama. Nas redes sociais, muitos usuários associaram a produção à Lei Rouanet, o que fez com que o termo figurasse nesta segunda-feira (12) nos chamados "trending topics" ou, em português, na lista de assuntos do momento. Entretanto, diferentemente do que foi afirmado em vários posts, "O Agente Secreto", que é um longa-metragem, não recebeu recursos captados via Lei Rouanet. Isso não significa dizer que a produção não contou com dinheiro público. O g1 procurou a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e questionou se houve a destinação de verbas federais para o filme e qual valor foi repassado. A agência não havia respondido até a última atualização desta reportagem. A seguir, o g1 explica o que é a Lei Rouanet e como é feita a fiscalização de recursos captados pelo mecanismo de incentivo (clique no link para seguir ao conteúdo). O que é a Lei Rouanet? Como funciona? Que projetos podem ser beneficiados? Como é a fiscalização? O que é a Lei Rouanet? A Lei Rouanet é um dos pilares do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Trata-se de um mecanismo de incentivo fiscal, que não prevê o repasse direto de verbas do governo. Pela legislação, o governo federal renuncia a uma parte da arrecadação de impostos para que o valor seja investido em culturais aprovados pelo Ministério da Cultura. Criada em 1991, a lei do Pronac ficou popularmente conhecida como Lei Rouanet, por causa de Sérgio Paulo Rouanet, secretário de Cultura da Presidência entre 1991 e 1992, que apresentou a proposta no governo Fernando Collor. Como funciona? O processo de fomento não envolve dinheiro saindo dos cofres públicos para o artista, mas, sim, a autorização para captação de recursos no mercado, dividida em fases. O produtor submete o projeto ao sistema Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic). O Ministério da Cultura analisa se o projeto cumpre os requisitos legais. Com o projeto aprovado, o produtor recebe autorização para buscar patrocinadores (empresas) ou doadores (pessoas físicas que fazem a declaração completa do Imposto de Renda); ?A empresa pode abater até 4% do seu imposto de renda devido, e a pessoa física, até 6%. O dinheiro captado vai para uma conta vinculada ao projeto no Banco do Brasil, monitorada pelo governo. Que projetos podem ser beneficiados? A Lei Rouanet pode contemplar filmes de curta e média metragens, mas não se aplica a longa-metragens, caso de "O Agente Secreto". Conforme as regras, podem captar recursos via Lei Rouanet projetos de: Artes cênicas: teatro, dança, circo, ópera e mímica. Música: concertos sinfônicos, música instrumental, erudita, canto coral e música popular. Artes visuais: exposições de pintura, escultura, fotografia, design, artes gráficas e grafite. Humanidades: literatura, edição de livros, feiras literárias e incentivo à leitura. Audiovisual: festivais de cinema, documentários e curta/média metragem. Como é a fiscalização? Cada gasto deve ser realizado via transferência eletrônica ou cartão de débito, o que gera um rastro digital automático. O Ministério da Cultura utiliza o sistema Salic para acompanhar a execução financeira. Notas fiscais e comprovantes de pagamento devem ser inseridos na plataforma conforme os gastos ocorrem. Ao final do projeto, o proponente deve apresentar um relatório detalhado da produção e da execução financeira, com extratos, notas fiscais e recibos. Além do Ministério da Cultura, a aplicação dos recursos fica sob o radar de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, da Controladoria-Geral da União e a Receita Federal. Cidadãos também podem consultar o valor captado, quem doou e como o dinheiro está sendo gasto através do portal Versalic.