O subprocurador junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, pediu nesta segunda-feira que a Corte faça um "alerta" ao Senado sobre a escolha de Otto Lobo para chefiar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo ele, há histórico de "decisões favoráveis" ao banco Master por parte de Lobo. A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central em novembro. “Entendo que o TCU, na qualidade de órgão auxiliar do Congresso Nacional, deve alertar o Senado Federal acerca da atuação do Sr. Otto Lobo, indicado pelo Presidente Lula para presidir a Comissão de Valores Mobiliários — órgão que fiscaliza o mercado de capitais — em decisões polêmicas favoráveis ao Banco Master, personagem central do maior escândalo financeiro do País, fatos que deveriam ser considerados quando da análise da sua indicação”, disse Furtado em seu pedido. A solicitação de Furtado será analisada primeiro pela área técnica do TCU. “O ideal, a meu ver, seria a adoção de medida cautelar, de forma a impedir a realização da sabatina. No entanto, não sendo isso possível dentro das competências do TCU, resta-me propor o alerta sugerido, ao tempo que solicito que a emissão do alerta ocorra com a urgência que o caso requer”, também considerou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu indicar Otto Lobo para comandar a CVM na semana passada. Ele precisa ser votado pelo Senado. Se confirmado no cargo, o mandato de Lobo não terá cinco anos, um mandato cheio, como acontece em novas nomeações. Ele cumprirá um mandato tampão até julho de 2027, complementando o período restante do mandato de João Pedro Nascimento, ex-presidente que deixou o cargo em julho do ano passado. No despacho desta segunda, Furtado cita a “apuração de supostas irregularidades em fundos de investimento, envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro”. Ele apontou que “para encerrar os processos sem julgamento de mérito, os investigados apresentaram à CVM uma proposta de termo de compromisso” e que “na tramitação Otto Lobo pediu vista do processo, e o caso acabou não sendo pautado por meses”. “O então diretor só levou o tema ao plenário no dia 2 de dezembro, quando o Banco Master já tinha a sua liquidação extrajudicial determinada”, completou. A liquidação do Banco Master ocorreu após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que, em novembro do ano passado, deflagrou a operação Compliance Zero. A apuração resultou na prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes financeiras relacionadas à emissão e comercialização de títulos de crédito irregulares. Ele foi solto em seguida. O indicado por Lula, que está como interino no comando da CVM, também teve outra decisão considerada polêmica por participantes do mercado no ano passado. Lobo votou duplamente, como diretor e como presidente do colegiado, pela não obrigação de uma proposta de fechamento de capital (OPA) da Ambipar, hoje em recuperação judicial. Ele contrariou a avaliação da área técnica da CVM que, em março do ano passado, havia apontado que o controlador da companhia de gestão ambiental teria atuado junto a atores de mercado e com o banco para comprar ações da empresa, elevando artificialmente o valor do papel em mais de 800%. Na leitura dos técnicos da autarquia, tal operação teria diminuído a liquidez dos papéis da empresa, dificultando que acionistas minoritários pudessem se desfazer das suas participações. Com isso, a área técnica vinha pedindo há meses que o voto duplo de Lobo fosse reconsiderado. Por fim, ele marcou uma reunião para tratar do assunto no último dia 23, dias antes de fechar seu mandato. E o colegiado votou contra a reconsideração do voto.