O último ato de Lewandowski: Ministério da Justiça envia pedido de investigação contra Flávio Bolsonaro à PF

O Ministério da Justiça encaminhou à Polícia Federal (PF) o pedido da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) que a corporação investigue o senador Flávio Bolsonaro (PL) por publicações que associam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao venezuelano Nicolás Maduro. O envio foi uma das últimas ações de Ricardo Lewandowski à frente da pasta, cuja exoneração foi oficializada pelo petista na sexta-feira. Fundo de Segurança, PF e guarda municipal: Os pontos tidos como inegociáveis pelo governo na PEC da Segurança Nas redes: Petistas compartilham imagens de Lula 'musculoso' adulteradas por inteligência artificial No documento, a deputada denuncia uma suposta prática de crimes contra a honra de Lula ao citar uma postagem do pré-candidato do PL à Presidência na qual ele afirma que Maduro iria delatar o petista, o que causaria o fim do “Foro de São Paulo”. A publicação ocorreu após o venezuelano ter sido capturado pelos Estados Unidos. A petista também alega que Flávio teria cometido os delitos de calúnia, difamação e injúria ao associar Lula e o grupo que reúne partidos de esquerda da América Latina a crimes como tráfico internacional de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro. A deputada afirma na denúncia que Flávio não poderia usufruir da proteção pela imunidade parlamentar por, na visão dela, o teor da publicação não estar vinculado ao exercício típico do mandato. O GLOBO procurou o senador, mas não teve retorno até a publicação da reportagem. A PF, por sua vez, disse que "não confirma nem se manifesta sobre eventuais investigações em andamento". Troca na pasta A saída do governo foi formalizada por Lewandowski em uma carta entregue a Lula na quinta-feira. Nela, o ministro afirmava ao presidente que razões pessoais e familiares o levaram a pedir a saída do governo. “Sirvo-me do presente para, respeitosamente, apresentar o meu pedido de exoneração do cargo de Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, por razões de caráter pessoal e familiar, a partir de 9 de janeiro de 2026", afirma a carta. O advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva, é considerado o mais cotado para assumir a pasta. Nas palavras de um auxiliar do presidente, “tudo indica” que ele ficará com o cargo. Desde sexta-feira, o ministério é comandado de forma interina por Manoel Carlos de Almeida Neto, secretário-executivo na gestão de Lewandowski.