Uma série de incidentes registrados nos últimos anos voltou a colocar em evidência o consumo de álcool por pilotos e os protocolos adotados pelas companhias aéreas para garantir a segurança dos voos. Casos recentes, alguns ocorridos poucas horas antes da decolagem, chamaram a atenção de passageiros e autoridades da aviação. ‘Chapéu-da-morte’: cogumelo tóxico provoca três mortes e mais de 20 intoxicações na Califórnia Em agosto do ano passado, um piloto da easyJet foi afastado após se envolver em um episódio de embriaguez em um bar de hotel em Cabo Verde, onde chegou a tirar a roupa horas antes de comandar um voo de retorno ao Reino Unido. O profissional havia transportado turistas britânicos à ilha em 4 de agosto e estava escalado para voar de volta para Gatwick pouco mais de 24 horas depois, mas acabou substituído por outro comandante. Meses antes, em janeiro, um piloto da Southwest Airlines foi preso momentos antes da decolagem nos Estados Unidos, sob suspeita de estar alcoolizado demais para exercer a função. Em ambos os casos, os episódios não chegaram a provocar acidentes, mas reforçaram a preocupação com a fiscalização. Os pilotos estão sujeitos a regras significativamente mais rígidas do que motoristas comuns. No Reino Unido, por exemplo, o limite permitido é de 20 miligramas de álcool por 100 mililitros de sangue, um quarto do teto legal para condutores nas estradas inglesas. Além disso, desde fevereiro de 2022, pilotos estão sujeitos a testes aleatórios de bafômetro durante inspeções de rampa. Em outros países, as exigências são ainda mais severas. Nos Estados Unidos, o limite é inferior a 0,04% de álcool no sangue, enquanto algumas nações adotam tolerância zero. As autoridades da aviação recomendam, em geral, um período mínimo de oito horas sem consumo de álcool antes do voo. Algumas companhias ampliam essa exigência. Empresas como Delta Air Lines e United Airlines impõem um intervalo de 12 horas entre a ingestão de álcool e o momento da decolagem. O capitão aposentado Pete Hutchison, que voou por mais de 20 anos pela Virgin Atlantic, afirmou à CNN que adotava uma política pessoal ainda mais conservadora. “Nunca se coloque em uma situação em que esteja discutindo por causa de 0,01”, disse. Em escalas curtas, segundo ele, a recomendação à tripulação era de abstinência total. “Somos profissionais que trabalharam muito para conquistar uma licença comercial e ainda enfrentamos responsabilidade civil ilimitada. Não queremos que ninguém se machuque nem que nossa companhia aérea ou todo o setor sejam colocados em risco”, afirmou.