Calorão continua nesta terça-feira no Rio: máxima deve chegar aos 39°C; veja a previsão

Desde as 11h30 de sábado, a cidade do Rio enfrenta o terceiro nível do Protocolo de Calor (Calor 3), que caracteriza-se por temperaturas entre 36ºC e 40ºC por, ao menos três dias consecutivos. Na segunda-feira, os termômetros atingiram 41,4ºC, a maior marca do verão até o momento, sem que houvesse uma nuvem no céu. Nesta terça-feira, há chance de pancadas de chuva, mas o calor não vai embora. A mínima e máxima previstas são 21ºC e 39°C. — A partir desta terça-feira até, pelo menos, sábado, há risco de pancadas de chuva forte, com raios, eventual queda de granizo e rajadas de ventos que podem derrubar árvores — diz César Soares, meteorologista da Climatempo. Segundo o Alerta Rio, os termômetros devem marcar entre 21ºC e 36ºC na quarta-feira, 21ºC e 37ºC na quinta-feira e 22ºC e 36ºC na sexta-feira. O Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio) informa que não há uma perspectiva de atingimento de níveis mais críticos de calor, já que a previsão é de diminuição da temperatura máxima nos próximos quatro dias. Para combater a carestia: banhistas aprovam tabelamento de preços nas praias do Rio e citam variação de valores Há 60 anos: 'maior temporal de todos os tempos' deixou 250 mortos e cicatrizes nas paisagens do Rio O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de onda de calor para todo o estado do Rio com grau de severidade classificado como perigo, válido da tarde desta segunda até as 23h59 de quarta-feira. — Essa condição se dá por conta de uma massa de ar quente e seco que é uma característica do verão. Nesta terça, deixou a umidade relativa do ar muito baixa — explica a meteorologista Andrea Ramos. — Nos últimos anos, o calor está aumentando. É uma tendência que estamos observando. Estamos tendo um aumento gradual das temperaturas e da intensidade e frequência de eventos extremos. Efeitos do calor O calor intenso e o tempo seco podem ocasionar consequências que vão do desconforto a quadros graves. — Nos casos mais leves, aparecem brotoejas, irritações na pele, inchaço em pés e pernas, cãibras, tontura e mal-estar, muitas vezes causados pela perda de líquidos e sais, com consequente queda da pressão arterial. Se o estresse térmico progride, pode surgir a exaustão pelo calor, com fraqueza importante, dor de cabeça, náusea, tontura, sudorese intensa e aumento dos batimentos cardíacos. O caso mais extremo é a insolação — explica o clínico geral Andrei Kirsten. A insolação pode provocar desorientação, fala arrastada e perda da consciência. A cardiologista Letícia Ferraz Pamplona alerta que, quando grave, o distúrbio tem chances de óbito de 20% a 60% dos casos. — A insolação grave causa sintomas como vômitos, confusão mental, podendo provocar até crises convulsivas e insuficiência renal aguda por desidratação. O paciente deve ser encaminhado rapidamente ao pronto atendimento — destaca a médica. — O que orientamos é manter uma boa hidratação (no mínimo 30ml/kg), moderar o consumo de bebidas diuréticas, como café e álcool, evitando a desidratação, e preferir realizar atividades físicas em ambientes ventilados, de preferência com ar-condicionado. Ao perceber sintomas de náuseas, tonturas e pré-desmaio, o paciente deve se elevar as pernas ao se deitar. Assim, o sangue circula mais facilmente por todo o corpo, inclusive para o cérebro, ajudando a recuperar a consciência e aliviar o mal estar. O doutor Andrei recomenda evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, preferindo início da manhã e fim da tarde: — Se surgirem sintomas, a orientação é sair do calor, descansar, resfriar o corpo e se hidratar. Se não houver melhora em 30 a 60 minutos, vale procurar atendimento. Sinais neurológicos como confusão, desmaio ou convulsão são sempre emergência. Pacientes com insuficiência renal ou cardíaca que usam furosemida (um diurético) também devem ter atenção, observa a doutora Letícia: — Estes devem estar alinhados com o cardiologista o ajuste da dosagem e quantidade de ingestão hídrica. Veja as orientações da Prefeitura do Rio: Aumente a ingestão de água ou de sucos de frutas naturais, sem adição de açúcar, mesmo sem ter sede; Consuma alimentos leves como frutas e saladas; Utilize roupas leves e frescas; Evite bebidas alcoólicas e com elevado teor de açúcar; Evite a exposição direta ao sol, em especial, de 10h às 16h; Informe-se sobre os níveis de calor na cidade do Rio de Janeiro por meio das redes sociais e sites do Centro de Operações Rio e da Secretaria Municipal de Saúde. A exposição ao sol sem a proteção adequada contra os raios ultravioleta deixa a pele vermelha, sensível e com bolhas. Use protetor solar; Proteja as crianças com chapéu de abas; Em caso de mal-estar, tontura ou demais sintomas provocados em decorrência do estresse térmico, procure uma unidade municipal de saúde. Milhares de atendimentos devido ao calor A Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS) calcula que, nos primeiros 11 dias de janeiro, a rede de urgência e emergência registrou 6.308 atendimentos possivelmente relacionados ao calor. Os principais sintomas foram tontura, fraqueza e desmaio. Já na rede estadual, foram 1.721 atendimentos nas 27 Unidades de Prontos Atendimento (UPAs) a pacientes com pelo menos três sintomas simultâneos relacionados ao calor extremo, que são: dor de cabeça, tontura, náuseas, pele quente e seca, pulso rápido, temperatura corporal elevada, distúrbios visuais, confusão mental, respiração rápida, taquicardia, desidratação, insolação e desequilíbrio hidroeletrolítico (água e sais minerais), informa a Secretaria de Estado de Saúde.