O que era para ser apenas um cuidado rotineiro de beleza virou motivo de apreensão para Virgínia Fonseca durante uma passagem por Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A influenciadora contou nas redes sociais que procurou um salão apenas para lavar o cabelo e fazer uma hidratação simples, mas saiu do local com a suspeita de ter passado por um procedimento semelhante à escova progressiva — algo que ela não queria. Lívia Andrade revela segredo estético do bumbum: bioestimulador pode substituir academia? Entenda como funciona Água do mar, rio ou piscina pode fazer mal à pele? Veja os cuidados no verão A situação, descrita por Virgínia como um "perrengue chique", foi agravada pela dificuldade de comunicação no atendimento, já que ela precisou recorrer a um tradutor no celular para explicar o serviço desejado, apesar de ter nascido nos Estados Unidos e possuir dupla cidadania. "Eu acho que essa hidratação […] mexeu na cor do meu cabelo. Estou achando que meteram uma progressiva no meu cabelo. Ele passou um produto, bateu um secador e meu olho ardeu. Sensação de desespero”, relatou. Segundo a empresária, o cheiro forte do produto e a ardência nos olhos chamaram sua atenção durante o procedimento, que custou cerca de 3 mil dirhams, aproximadamente R$ 4.385. Virgínia explicou que tentou ser objetiva ao fazer o pedido. "Coloquei no tradutor: 'Quero uma hidratação'. Ele falou: 'Tenho uma muito boa. Você não quer saber o preço?'. Ele falou o preço e o tempo. Pensei, em 30 minutos ele não vai fazer uma loucura. Acho que a progressiva aqui dura 30 minutos!", contou. Apesar de ter gostado do resultado estético imediato, ela admitiu preocupação com as possíveis consequências. "Não estou achando feio, agora está lindo, mas estou com medo do pós. Não sei se a progressiva vai atrapalhar na hora de passar mais tinta. Minha cabeça começou até a doer", disse. Virgínia relata suspeita de progressiva em salão de Dubai e especialistas alertam para riscos Reprodução Instagram O episódio rapidamente repercutiu na web e reacendeu um debate que vai além da estética: os riscos associados a procedimentos químicos para alisamento capilar, especialmente quando o consumidor não tem clareza sobre os produtos utilizados. Embora a escova progressiva seja comum em salões de beleza, especialistas alertam que a falta de informação e de comunicação pode trazer consequências para o cabelo, o couro cabeludo e até para a saúde geral. Segundo o especialista em transplante capilar e queda de cabelo Vlassios Marangos, um dos principais pontos de atenção nesse tipo de procedimento é justamente o desconhecimento sobre as substâncias aplicadas. "Algumas progressivas utilizam substâncias bastante agressivas para modificar a estrutura do fio. Quando o produto não é adequado ou a aplicação não respeita critérios técnicos, os danos podem ser significativos, como quebra, ressecamento intenso, afinamento do cabelo e inflamações no couro cabeludo, que favorecem quadros de queda", explica. O médico ressalta que cuidados devem ser redobrados em atendimentos realizados fora do país. "Nem sempre o cliente sabe exatamente o que está sendo aplicado. Há países onde ainda circulam fórmulas que já foram banidas ou restritas em outros lugares", afirma. O desconforto relatado por Virgínia durante o atendimento, especialmente a ardência nos olhos e o cheiro forte do produto, também é motivo de alerta. A otorrinolaringologista Renata Lopes detalha que esse tipo de odor pode indicar a liberação de vapores irritantes, capazes de afetar as vias respiratórias: "Esse cheiro não deve ser encarado apenas como algo incômodo. Muitos produtos liberam substâncias irritantes quando aquecidos, capazes de provocar ardor no nariz e na garganta, tosse, dor de cabeça, sensação de aperto no peito e até falta de ar." De acordo com a especialista, pessoas com histórico de rinite, sinusite ou asma estão ainda mais vulneráveis. "As vias respiratórias já são sensíveis, e a inalação desses vapores pode desencadear crises importantes", alerta. A dermatologista Camila Sampaio chama atenção para os impactos no couro cabeludo, uma região altamente sensível. "Produtos químicos podem causar dermatites, queimaduras, coceira intensa, descamação e queda de cabelo por inflamação local”, explica. Segundo ela, os efeitos nem sempre surgem imediatamente, o que pode dificultar a associação direta com o procedimento. “Muitas vezes, as queixas aparecem dias ou semanas depois", pontua. Renata reforça que o corpo costuma emitir sinais claros quando algo não vai bem durante o processo. "Ardência intensa, tosse persistente, tontura, náusea ou dificuldade para respirar são sinais de alerta. Nesses casos, o ideal é interromper o procedimento imediatamente e buscar um ambiente ventilado", orienta. Para Vlassios, o relato de Virgínia serve como um alerta importante. "A estética não pode vir antes da saúde. Informar-se sobre o produto, questionar o profissional e respeitar os limites do próprio corpo são atitudes fundamentais para evitar problemas que podem ter consequências duradouras", conclui.