Mansão de Freddie Mercury em Londres continua sem comprador e expõe disputa familiar sobre o legado do cantor; entenda

A icônica Garden Lodge, casa onde Freddie Mercury viveu seus últimos anos em Londres, ainda não encontrou comprador. Avaliada em cerca de 30 milhões de libras (R$ 226,2 milhões), a mansão de oito quartos no exclusivo bairro de Kensington foi colocada à venda em 2024 por Mary Austin, ex-parceira e principal herdeira do vocalista do Queen, mas a negociação não avançou e trouxe à tona conflitos antigos em torno do legado do artista. Com ouvido absoluto, argentino de 12 anos é prodígio do violino, instrumento que aprendeu antes de se alfabetizar 'Not For Sale': Brian May revela música inédita do Queen: 'Ninguém nunca ouviu esta versão' Freddie Mercury, nascido Farrokh Bulsara, morreu em 1991, aos 45 anos, vítima de pneumonia brônquica relacionada à Aids. Em testamento, deixou Garden Lodge e a maior parte de sua fortuna para Mary Austin, a quem chamava de “companheira”, apesar de o relacionamento amoroso já ter terminado. Austin, hoje com 74 anos, viveu na casa desde a morte do cantor e tornou-se a principal gestora de seus bens. A dificuldade em vender a propriedade foi vista como um alívio por Kashmira Bulsara, irmã mais nova de Freddie, com quem Mary mantém uma relação marcada por atritos. Segundo fontes ouvidas pelo Daily Mail, Kashmira ficou abalada ao ver objetos pessoais do irmão sendo colocados à venda, temendo que memórias de valor afetivo se dispersassem fora da família. O conflito se intensificou no ano passado, quando Mary decidiu leiloar itens do acervo pessoal do cantor. De forma anônima, Kashmira e o filho, Jamal Zook, gastaram cerca de US$ 4 milhões em um leilão da Sotheby’s para recomprar peças consideradas essenciais para preservar dentro da família Bulsara. As tensões remontam ao período imediatamente após a morte de Freddie. O funeral, realizado segundo o rito zoroastriano de seus pais no Crematório de West London, foi seguido por uma cerimônia privada em que Mary ficou responsável pelas cinzas do artista, atendendo ao desejo dele de manter em segredo o local de descanso final. A ausência de Kashmira nesse momento teria aprofundado o distanciamento entre as duas. Mary Austin foi a pessoa mais próxima de Freddie Mercury ao longo da vida. Eles se conheceram em 1970, ficaram noivos em 1973 e, mesmo após ele revelar sua bissexualidade — e mais tarde se assumir gay —, mantiveram um vínculo emocional duradouro. Essa proximidade se refletiu no testamento: Mary herdou 50% de um patrimônio estimado em mais de US$ 200 milhões, além de rendimentos contínuos de direitos autorais. Em 2024, também recebeu uma quantia multimilionária com a venda do catálogo do Queen à Sony, por mais de US$ 1 bilhão. Kashmira, seis anos mais nova que o irmão, herdou inicialmente 25% da fortuna, assim como os pais. Com a morte deles, essa parcela também passou para Mary, consolidando seu controle sobre o espólio. Comprada por Freddie em 1978 por US$ 399 mil, Garden Lodge é descrita por Mary como o refúgio do cantor — e o local onde, segundo ela, suas cinzas repousam. Reservada e avessa à exposição pública, Mary Austin manteve por décadas um perfil discreto, segundo vizinhos. O filme Bohemian Rhapsody (2018) reacendeu no imaginário popular a relação de lealdade entre ela e Freddie, agora novamente em evidência diante do impasse em torno da casa que simboliza não apenas luxo, mas a memória íntima de um dos maiores ícones da música.