Aplicativo 'Você está morto?' vira sucesso na China em meio ao aumento de pessoas que vivem sozinhas

O aplicativo “Você está morto?”, que ativa um alerta caso o usuário não se conecte por 48 horas, tornou-se um dos mais vendidos na China, país onde cresce o número de pessoas que vivem sozinhas. Rede X, de Musk, enfrenta ação judicial na Malásia por imagens sexuais geradas pelo Grok Criado pela empresa Moonscape Technologies, o aplicativo se apresenta como uma “ferramenta de segurança pensada para quem mora sozinho (…) para tornar a vida solitária mais reconfortante”. Embora o nome tenha gerado controvérsia, desde domingo ele figura entre os aplicativos mais vendidos da loja iOS da segunda maior economia do mundo. O nome em chinês, “sileme”, é um jogo de palavras com o nome de um popular aplicativo de entrega de comida e pode ser traduzido como “Você está morto?” ou simplesmente “Morto?”. O aplicativo, cujo ícone é um fantasma, direciona o usuário a uma página onde deve inserir seu nome e o e-mail de um contato de emergência. “Se você não acessar o aplicativo por dois dias, o sistema enviará um e-mail ao seu contato de emergência”, informa a versão disponível internacionalmente. Nas ruas de Pequim, alguns usuários em potencial demonstraram ceticismo. Yaya Song, de 27 anos, trabalha no setor de tecnologia e mora sozinha. Embora ache a proposta interessante, considera o aplicativo caro demais. “Se fosse gratuito, eu baixaria para testar; até cobrar um yuan [US$ 0,14] seria razoável para experimentar, mas oito yuans [US$ 1,15] me parecem um pouco caros”, afirma. Ela acredita que, caso “o pior” acontecesse, a empresa onde trabalha perceberia antes mesmo da família ou dos amigos. Além disso, considera que o nome do aplicativo “soa um pouco violento”. Opinião semelhante tem Huang Zixuan, estudante de 20 anos. “Se eu quisesse que meus avós baixassem esse aplicativo, provavelmente não conseguiria nem dizer o nome”, disse. 'Você está vivo?' Em 2024, pessoas que vivem sozinhas representavam cerca de um quinto de todos os lares chineses, contra 15% há dez anos, segundo dados oficiais. “Imagino que, ao chegar à meia-idade, todos começamos a nos preocupar com o que acontece depois da morte”, afirmou Sasa Wang, funcionária administrativa de 36 anos. Hu Xijin, ex-editor do tabloide estatal Global Times, elogiou no sábado o potencial do aplicativo, especialmente para idosos, e sugeriu mudar o nome para “Você está vivo?”. “Assim, ele daria mais tranquilidade psicológica aos idosos que o utilizam”, escreveu nas redes sociais. A conta oficial do aplicativo respondeu que irá “considerar seriamente” a mudança do nome. Outros, no entanto, defendem que ele seja mantido. “É bom encarar o tema da morte”, dizia o comentário mais curtido.