Uma sequência de ondas de forte intensidade atingiu a costa atlântica da província de Buenos Aires, na Argentina, nesta segunda-feira, 12, depois de uma maré baixa atípica e acentuada. O episódio causou destruição em longos trechos das praias de Mar del Plata, Santa Clara del Mar e Mar Chiquita. O avanço súbito do mar provocou dezenas de resgates, deixou ao menos 35 feridos e resultou na morte de um homem. De acordo com o jornal argentino La Nación , a vítima fatal é Yair Manno, de 29 anos, natural de Mar del Plata. + Leia mais notícias do Mundo em Oeste O homem estava próximo a um grupo de pescadores em um setor da Lagoa de Mar Chiquita quando foi surpreendido por uma correnteza intensa. O episódio ocorreu no meio da tarde, em um dia de calor extremo, com temperaturas acima de 38 °C e grande concentração de pessoas ao longo da costa. Este balneario se llama San Sebastián y está en la zona norte de Mar del Plata (La Perla), algo similar pasó en Santa Clara del Mar(partido de Mar Chiquita). Terrible. pic.twitter.com/eleiAK1rmq — . (@j_aalejandra) January 12, 2026 A investigação está a cargo do promotor Ramiro Anchou, do Departamento Judicial de Mar del Plata, que instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte. Os primeiros indícios apontam para asfixia por afogamento. Segundo o La Nación , Yair Manno estava de férias na costa argentina com a namorada francesa. Embora residisse na França havia pelo menos oito anos, onde trabalhava como cavaleiro, mantinha vínculos com a cidade natal. Testemunhas relataram que Manno caminhava com a água na altura dos joelhos, a poucos metros da namorada, quando perdeu o equilíbrio com a força das ondas. “Ele não sabia nadar”, disseram pessoas próximas. https://twitter.com/Tv_Libertaria/status/2010854485040525704 O coordenador de salva-vidas Alejandro Bolufer afirmou que Manno foi resgatado da lagoa com apoio de um barco, junto a outros jovens socorridos. “Foi uma onda repentina, de arrasto; em um segundo nos pegou desprevenidos a todos”, disse ao Teleocho Informa , destacando que tudo “foi muito rápido” e durou “30 ou 40 segundos”. Para Alejandro Acciaressi, também da coordenação do serviço de salva-vidas em Mar Chiquita, o fenômeno “não foi uma onda”, mas “uma elevação repentina e inesperada do nível do mar” Arrastado pela correnteza, o homem não conseguiu ser resgatado a tempo. Em meio ao tumulto, banhistas tentavam se afastar do mar e localizar familiares. A morte foi confirmada por Fabián García, diretor da Defesa Civil da província de Buenos Aires. "Arrasó con toda la gente que estaba en la costa" El guardavidas que asistió a las personas alcanzadas por el avance de la ola gigante en Santa Clara del Mar, provincia de Buenos Aires, aseguró: "En 20 años de playa nunca vi algo parecido". https://t.co/UgSv4IWAKt pic.twitter.com/izkvHw1HdA — Corta (@somoscorta) January 13, 2026 A diretora de Segurança nas Praias de Mar Chiquita, Andrea Lezcano, afirmou que o fenômeno afetou toda a costa do distrito, de Santa Clara até a Lagoa de Mar Chiquita. Segundo ela, o mar avançou de forma repentina logo depois do recuo provocado pela maré baixa. “Havia seis pescadores e um banhista com a água nos joelhos; formou-se uma onda e os arrastou em direção ao setor da reserva, do outro lado da lagoa”, relataram responsáveis pelo atendimento inicial. Pescadores que estavam no local prestaram os primeiros socorros, seguidos por um barco de excursões de pesca, que chegou com salva-vidas e um desfibrilador. A vítima foi encaminhada a um centro de saúde, mas já sem sinais vitais. A morte ocorreu na chamada “boca” da Lagoa de Mar Chiquita, área onde as correntes marinhas penetram no balneário e que concentra um dos principais pontos de pesca da região. “Ele foi levado para uma área mais profunda e o rapaz não sabia nadar”, disse um salva-vidas, acrescentando que a força do mar o arrastou para longe do posto de segurança. Praia de Mar Chiquita no momento da "super onda" | Foto: Reprodução/La Nación Banhista tem parada cardíaca durante "super onda" em Buenos Aires Em Santa Clara del Mar, também na província de Buenos Aires, outro banhista sofreu uma parada cardíaca no mesmo momento do avanço das ondas. Ele foi atendido ainda na praia, levado de ambulância e internado em Mar del Plata. Segundo as autoridades, seu estado de saúde é estável. O município contabilizou cerca de 35 feridos, com lesões como contusões e cortes, sem registros de casos graves. Banhistas relataram cenas de pânico, com o avanço do mar sobre a faixa de areia arrastando cadeiras, guarda-sóis e outros objetos. Muitas pessoas estavam dentro d’água, o que exigiu ajuda mútua, sobretudo para retirar crianças e idosos. "Nunca vi nada igual", afirmou Maximiliano Prensky, salva-vidas da região de El Torreón. Ele descreveu a chegada de “um mini tsunami”. "Retiramos seis ou sete idosos e, com apitos, tiramos as pessoas da água." Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Info del Estero | Diario digital (@infodelestero_) A maré baixa excepcional deixou uma ampla faixa de areia exposta. Com o calor intenso, muitos banhistas se aproximaram do limite do mar. Em seguida, o nível da água subiu rapidamente, com ondas sucessivas, não muito altas, porém extremamente fortes. "Pegamos a moto aquática porque os barcos estavam em resgates", relatou Prensky, acrescentando que até nadadores experientes precisaram de ajuda. "Formou-se algo como um buraco negro na ponta do molhe. O que se viveu aqui nunca tínhamos visto." Situações semelhantes foram registradas em Punta Mogotes, onde o mar avançou mais de 50 metros em poucos segundos, e em La Caleta, no município de Mar Chiquita, onde duas ondas contínuas cobriram quase toda a praia. “O mar recuou, estávamos com a água nos tornozelos e, em cinco segundos, ela chegou à altura do peito”, contou Gastón, que estava entre Cobo e La Caleta. A prefeitura de Mar Chiquita classificou o fenômeno como uma “super onda” ou “mini tsunami”, que exigiu atuação conjunta das equipes de Segurança nas Praias e levou à evacuação imediata das áreas costeiras. Em nota, o município afirmou que, apesar da previsão de aumento do vento, “não havia como prever a magnitude das ondas que poderiam ser geradas”. 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