Passageiro que precisou ser internado no psiquiatra após ter bagagem extraviada processa companhia aérea em R$ 270 mil

Um morador do estado do Colorado, nos Estados Unidos, entrou com uma ação judicial contra a American Airlines pedindo uma indenização superior a US$ 50 mil (cerca de R$ 270 mil). Ele alega que o extravio de sua bagagem durante uma viagem internacional levou ao agravamento de seu estado de saúde mental e resultou em uma internação psiquiátrica prolongada na Suíça. Veja também: Mãe é presa nos EUA após criança encontrar arma em casa e matar menino de dois anos Portugal: Universidade do Porto registra primeiros caso de 'superfungo' resistente a remédios De acordo com o processo, o passageiro, identificado apenas pelas iniciais KR, afirma que sua saúde mental se deteriorou diretamente após a perda da mala despachada, ocorrida em uma viagem iniciada em 28 de dezembro de 2023. Ele embarcou em Baton Rouge, na Luisiana, com destino final a Zurique, com conexões em Dallas e Fort Worth, no Texas, e Madri. O primeiro trecho foi operado pela American Airlines, enquanto os voos seguintes ficaram a cargo da Iberia, parceira da companhia dos EUA. A bagagem foi despachada corretamente no aeroporto de origem, mas não chegou ao destino final. Ao desembarcar em Zurique, KR aguardou na esteira sem sucesso e deixou o aeroporto apenas com as roupas do corpo e poucos itens pessoais. Segundo a ação, a falta de acesso a vestuário adequado em meio ao inverno rigoroso suíço teria contribuído para o agravamento de seu quadro psicológico. Durante sua permanência no país europeu, o passageiro afirma ter sido internado em três hospitais psiquiátricos, somando mais de um mês de internação. Sem seguro de saúde, recebeu posteriormente uma cobrança superior a US$ 50 mil do sistema de saúde suíço. Ele relata ainda dificuldades para comprar roupas suficientes no país devido à valorização do franco suíço frente ao dólar. 'Mini tsunami': mar avança repentinamente e deixa ao menos um morto e 35 feridos na Argentina; vídeo Antes da piora de seu estado de saúde, KR diz ter tentado diversas vezes entrar em contato com a American Airlines para localizar a bagagem. Ele utilizava dispositivos de localização Apple AirTag nas malas e compartilhava as informações de localização com a companhia, mas alega que nenhuma providência foi tomada com base nesses dados. Uma das peças de bagagem só foi localizada e devolvida em abril de 2024, quando foi enviada à Suíça. Cerca de uma semana depois, o passageiro retornou aos Estados Unidos. Em geral, companhias aéreas orientam passageiros com bagagem extraviada a comprar itens essenciais por conta própria, com possibilidade de reembolso posterior. O procedimento, porém, tem limitações, como a indefinição do que são gastos considerados razoáveis e a necessidade de o cliente dispor de recursos imediatos. Em voos internacionais, a compensação por bagagem atrasada ou perdida é regulada pela Convenção de Montreal, que estabelece um limite máximo de responsabilidade de 1.519 Direitos Especiais de Saque — o equivalente a cerca de US$ 2.175 (aproximadamente R$ 11 mil) por passageiro. Apesar disso, KR tenta reivindicar US$ 4.700 (cerca de R$ 25 mil) referentes à bagagem, valor correspondente ao teto previsto para voos domésticos nos Estados Unidos. Como a viagem tinha caráter internacional, mesmo com um trecho interno, prevalece o limite inferior definido pela convenção internacional.