Dívida pode chegar a 95% do PIB com nova regra para precatórios

A retirada dos precatórios do teto de gastos previsto no arcabouço fiscal elevou as projeções da dívida bruta brasileira. Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira, 12, pelo Tesouro Nacional , o indicador pode alcançar 95% do PIB em dez anos, caso não ocorram mudanças significativas na arrecadação. O relatório oficial detalha os impactos da PEC dos Precatórios promulgada em setembro de 2025, que excluiu progressivamente as despesas com sentenças judiciais do limite fiscal. A nova regra contou com apoio do governo Lula e prevê uma transição de dez anos para reinclusão gradual dos gastos à meta de resultado primário. + Leia mais notícias de Política em Oeste Mesmo que o governo adote novas medidas para reforçar o caixa e atinja as metas fiscais estabelecidas, a dívida seguirá em trajetória ascendente. O relatório estima que o índice chegue a 89% do PIB em 2032 e recue pouco nos anos seguintes, atingindo 88% do PIB em 2035. As projeções mostram dois cenários. O primeiro considera apenas a legislação em vigor até o fim de novembro. O segundo inclui medidas aprovadas posteriormente, como o corte linear de benefícios tributários e um reforço fiscal ainda dependente de ações futuras. https://www.youtube.com/watch?v=S-oRtFl88Bw A dívida bruta engloba União, Estados, municípios e estatais não financeiras, exceto Petrobras. Segundo o Tesouro, o índice fechou em 79,3% do PIB em 2025. Precatórios abrem espaço no teto, mas ampliam gasto total O novo regime permite ao governo ampliar os gastos com custeio e investimentos ao liberar espaço que antes seria ocupado pelos precatórios. A exclusão das sentenças judiciais obriga o Tesouro a recalcular o teto de despesas, retirando o valor correspondente dessa conta. Esse ajuste reduz o limite de gastos em R$ 49,2 bilhões para 2026. Por outro lado, a PEC incorporou R$ 12,4 bilhões extras ao cálculo, valor que será mantido nos anos seguintes. Com a correção, o efeito líquido representa uma diminuição de R$ 35,5 bilhões no teto do próximo ano. + Leia também: “ O Agente Secreto : governo Lula investiu mais de R$ 8 milhões na produção” Na prática, no entanto, os gastos aumentam, já que o valor total dos precatórios ultrapassa os R$ 100 bilhões. O relatório estima que os gastos primários — sem incluir o pagamento de juros — ficarão 0,5 ponto percentual do PIB acima do previsto entre 2026 e 2035. A despesa com precatórios e RPVs crescerá, em média, 4,4% ao ano, acima do ritmo do limite de despesas, projetado em 2,4%. + “‘Extra’ de quase R$ 30 mi a magistrados de MT é alvo de denúncia” O post Dívida pode chegar a 95% do PIB com nova regra para precatórios apareceu primeiro em Revista Oeste .