Itamaraty se cala sobre repressão aos protestos no Irã

Até esta terça-feira, 13, governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se manifestou sobre a repressão do regime iraniano contra manifestantes. O Itamaraty não divulgou nota nem fez declarações públicas, mesmo depois da divulgação de números que apontam uma escalada sem precedentes da violência no país. Uma autoridade iraniana informou à agência Reuters que os protestos já ultrapassaram 2 mil mortos. Do total, ao menos 505 seriam manifestantes e 133 integrantes das forças militares ou de segurança do regime. A repressão também resultou na prisão de 10,7 mil pessoas desde o início dos protestos, segundo autoridades iranianas. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste A onda de manifestações é considerada a maior desde 2009 e ocorre em meio à grave crise econômica. Os protestos começaram há duas semanas, por causa da disparada dos preços de alimentos básicos depois que o Banco Central do Irã encerrou um programa que permitia a importadores acessar dólares mais baratos. Reação internacional contrasta com silêncio do Brasil Enquanto o governo brasileiro permanece em silêncio, líderes europeus e potências ocidentais se manifestaram publicamente contra a repressão. O secretário-geral do Conselho da Europa , Alain Berset, afirmou que houve uma “repressão mortal” contra os manifestantes. “A estabilidade regional e global está em jogo”, escreveu, ao anunciar a convocação de uma reunião dos Estados-membros para discutir medidas de defesa dos direitos humanos. https://twitter.com/alain_berset/status/2010698321220780501?s=20 O primeiro-ministro da Holanda, Dick Schoof, declarou que “os homens e mulheres corajosos nas ruas das cidades iranianas merecem nosso apoio”. Além disso, afirmou que seu país “exorta o regime iraniano a cessar a violência, libertar aqueles que foram presos injustamente e restabelecer o acesso à internet”. https://twitter.com/MinPres/status/2010680307003863513?s=20 O premiê da Irlanda, Micheál Martin, afirmou que condena a “repressão brutal e violenta dos manifestantes, que deixou centenas de civis mortos no Irã nos últimos dias”. Ele também pediu que Teerã “respeite os direitos de todos os seus cidadãos”. https://twitter.com/MichealMartinTD/status/2011044135432507738?s=20 O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, disse estar “profundamente preocupado” e que seu país “condena o uso grave e desproporcional da violência”. https://twitter.com/jonasgahrstore/status/2010614211907326003?s=20 Portugal declarou que “condena veementemente a violência usada contra os manifestantes, que já causou centenas de mortes”, enquanto a Suíça afirmou acompanhar “com grande preocupação” as prisões e mortes e pediu o fim da repressão. O governo britânico afirmou que o Reino Unido “condena veementemente a terrível violência usada pelo regime iraniano contra aqueles que exercem seu direito ao protesto pacífico”. Além disso, a França, Alemanha e Reino Unido divulgaram um comunicado conjunto afirmando que “condenam veementemente o assassinato de manifestantes” e que as autoridades iranianas “devem permitir as liberdades de expressão e de reunião pacífica”. Posição da União Europeia A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que a União Europeia “apoia integralmente” os manifestantes. "Nos solidarizamos com o povo do Irã, que marcha bravamente em busca de sua liberdade", escreveu. https://twitter.com/vonderleyen/status/2011046697481261344?s=20 Já a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou que a resposta das forças de segurança foi “desproporcional” e escreveu que “o encerramento da internet acompanhado de repressão violenta revela um regime com medo do seu próprio povo”. https://twitter.com/kajakallas/status/2009613450230501565?s=20 EUA e Ucrânia também condenam violência no Irã O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington reagirá caso o regime iraniano use força letal contra civis. “Se o Irã matar violentamente manifestantes pacíficos, os Estados Unidos da América virão em seu socorro”, escreveu. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que “os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que a repressão interna do Irã está ligada ao comportamento do país no cenário internacional. “A opressão dos seus próprios cidadãos e o apoio à guerra da Rússia fazem parte da mesma política de violência e desrespeito pela dignidade humana”, escreveu. https://twitter.com/andrii_sybiha/status/2010034143866892660?s=20 Enquanto isso, as autoridades iranianas prometem endurecer ainda mais a repressão. O procurador-geral Mohammad Movahedi Azad afirmou que os processos contra os manifestantes serão conduzidos “sem clemência, misericórdia ou apaziguamento”. O post Itamaraty se cala sobre repressão aos protestos no Irã apareceu primeiro em Revista Oeste .