Banco Mundial reduz previsão e Brasil deve crescer 2% este ano, aponta relatório

O Banco Mundial reduziu, nesta terça-feira, sua previsão de crescimento para o Brasil em 2026. A estimativa é de uma leve queda na taxa de crescimento para 2%, ante 2,2% de junho. Para 2027, o avanço esperado é de 2,3%. A economia brasileira pode ter crescido 2,3% no ano passado, uma queda de 0,1 ponto percentual em relação ao último relatório. Caso Master: Haddad diz que dá 'respaldo institucional' ao BC: 'Podemos estar caminhando para a maior fraude do país' Comércio do Brasil com a China bate recorde e supera US$ 170 bi, mais que o dobro do negociado com os EUA Segundo a entidade, a desaceleração prevista para este ano deve ser um reflexo das taxas de juros reais, "dos ventos contrários relacionados ao comércio e à maior incerteza global". Para além do Brasil, num olhar sobre as economias da América Latina e do Caribe, o Banco Mundial frisou que as perspectivas regionais tendem para o "lado negativo". Além das incertezas comerciais devido às tarifas de Donald Trump, o mundo deve crescer menos que o esperado, o que pode reduzir os preços internacionais das commodities e pesar sobre as receitas dos governos da região, tendo em vista um nível já elevado de dívida pública. Alerta: Dívida do país pode subir para a 95% do PIB em uma década com pagamento de precatórios, projeta Tesouro Por outro lado, o Banco Mundial ressaltou que as perspectivas de rápida adoção da inteligência artificial, que podem aumentar a produtividade na região, especialmente em países mais bem posicionados para aproveitar os benefícios da tecnologia e com forças de trabalho mais capacitadas. No entanto, o relatório ressalta que a IA pode também causar disrupções nos mercados de trabalho regionais. Crescimento global deve ficar estável A previsão para o crescimento global em 2026 foi elevada em relação ao relatório anterior, mas representa uma desaceleração em relação aos 2,7% observados em 2025. O banco prevê um crescimento do PIB mundial de 2,6% neste ano, índice 0,2 ponto percentual superior ao projetado em junho. Ainda assim, o banco alertou para uma desigualdade cada vez maior nos padrões de vida, além de uma desaceleração do comércio e da demanda. O Banco Mundial avisa que a década de 2020 "caminha para ser a mais fraca em crescimento global desde a de 1960". Míriam Leitão: Nova tarifa de Trump, que pune comércio com o Irã, pega em cheio o Brasil A economia mundial tem sido mais resiliente do que o esperado no ano passado, apontou o relatório, apesar de uma "escalada histórica das tensões comerciais e incertezas políticas". Efeitos do tarifaço Pouco depois de assumir o poder, há um ano, o presidente Donald Trump anunciou tarifas generalizadas sobre os parceiros comerciais dos Estados Unidos, o que perturbou as redes de abastecimento e aumentou a incerteza econômica. Várias empresas americanas reforçaram suas importações antes da entrada em vigor dos novos impostos, e paralelamente houve um boom de investimentos em inteligência artificial, acrescentou o BM. Agora espera-se que o crescimento do comércio global "desacelere consideravelmente em 2026, à medida que o acúmulo [de estoques] se dissipe e o impacto das medidas tarifárias se intensifique", indicou o Banco Mundial. Após tarifaço, Taiwan afirma ter chegado a 'consenso geral' com EUA sobre acordo comercial À medida que os países se ajustem e as incertezas políticas reduzam, o crescimento do comércio voltará a se fortalecer em 2027, antecipa o banco. Porém, o ritmo de crescimento fraco amplia ainda mais as desigualdades sociais em todo o planeta. Além disso, "nos próximos anos, a economia mundial está destinada a crescer mais lentamente do que na tumultuosa década de 1990, enquanto mantém níveis recordes de dívida pública e privada", advertiu o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill. "Para evitar estagnação e desemprego, os governos das economias emergentes e avançadas devem liberalizar agressivamente o investimento privado e o comércio, conter os gastos públicos e investir em novas tecnologias e educação", afirmou.