Uma das principais lideranças do narcotráfico venezuelano , Carlos Eduardo Orense Azócar, foi sentenciado a mais de 30 anos de prisão por um tribunal federal em Nova York, depois de ser considerado culpado de conspirar para enviar centenas de toneladas de cocaína aos Estados Unidos em colaboração com militares e servidores do governo venezuelano. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste A decisão, divulgada na segunda-feira 12, pelo juiz Vernon S. Broderick, do Tribunal do Distrito Sul de Nova York, encerrou um julgamento de duas semanas, no qual foram apresentadas provas do envolvimento direto de Orense Azócar, também conhecido como “Tornapool” ou “El Gordo”, no Cartel de los Soles e em atividades criminosas ligadas à estrutura estatal venezuelana. Modus operandi e apoio estatal no narcotráfico Segundo informações reunidas no processo, Orense Azócar comandava operações no Estado de Apure e em áreas limítrofes da Venezuela, organizando o armazenamento e o transporte de carregamentos de drogas para fora do país, utilizando fazendas e serrarias como bases logísticas e escondendo a cocaína em tanques subterrâneos e entre cargas de madeira. A promotora Kaylan Lasky explicou ao júri que o réu integrava um “sistema político corrupto que permitiu que seu negócio de drogas prosperasse”, detalhando o uso de métodos como mascaramento de cheiro e suborno de autoridades para garantir a circulação das drogas. As investigações revelaram que Orense Azócar utilizava rotas aéreas e marítimas que conectavam a Venezuela ao México, República Dominicana e outros destinos caribenhos, valendo-se de aviões com transponders adulterados e lanchas de alta velocidade, além de subornar generais, policiais e agentes de inteligência para assegurar o transporte dos entorpecentes. Além do acesso facilitado a armas militares e pistas clandestinas, a proteção recebida de integrantes do Estado venezuelano proporcionava ao narcotraficante impunidade frente a operações policiais e militares, permitindo a continuidade das atividades ilícitas. Orense Azócar segue sob custódia federal nos Estados Unidos, onde cumprirá integralmente a pena determinada pela justiça norte-americana. “Carlos Orense Azocar era um chefão do crime que construiu um império baseado em engano, fraude e suborno”, afirmou Terrance C. Cole, administrador da Agência de Combate às Drogas (DEA). “Os laços estreitos de Orense Azócar com o regime venezuelano lhe forneceram recursos para escapar da justiça e transportar enormes quantidades de cocaína pelo Hemisfério Ocidental", acrescentou Cole. "A sentença de hoje envia uma mensagem clara: a DEA perseguirá e responsabilizará implacavelmente os traficantes internacionais de drogas, não importa o quão longe eles fujam ou o quão poderosos se considerem.” Implicações políticas e acusações contra Maduro No contexto das investigações, o ex-presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, também enfrentam acusações nos Estados Unidos por crimes relacionados ao narcotráfico, incluindo conspiração para narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas, posse de armas de uso restrito e dispositivos explosivos. Maduro, capturado na Venezuela no dia 3 de janeiro, e Flores, responderam como inocentes em audiência realizada em Nova York, por envolvimento em rede criminosa que, segundo promotores federais, teria utilizado estruturas do Estado venezuelano por mais de vinte anos para facilitar o envio de grandes remessas de drogas aos Estados Unidos. Leia também: “Togas fora da lei” , artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste O post Chefe do narcotráfico venezuelano é condenado a mais de 30 anos nos EUA apareceu primeiro em Revista Oeste .