A Embaixada do Brasil em Teerã mantém contato permanente com a comunidade brasileira no Irã — estimada em 85 pessoas pelo Itamaraty — e acompanha de perto os protestos no país, segundo relatos de interlocutores do governo Lula. Até o momento, não há registro de nacionais atingidos ou afetados pelas manifestações. Desde o fim de dezembro de 2025, o Irã vive uma das maiores ondas de protestos de sua história recente, impulsionadas pela deterioração da economia, com inflação elevada, desvalorização abrupta da moeda e o aumento do custo de vida. As manifestações rapidamente se espalharam por diversas cidades e províncias, incorporando estudantes e setores mais amplos da sociedade, com reivindicações que vão além da pauta econômica e incluem críticas ao regime político. A resposta do governo iraniano tem sido marcada por forte repressão, bloqueio generalizado da internet e das comunicações, prisões em massa e uso de força letal pelas forças de segurança, o que dificulta a verificação independente do número real de mortos e detidos. Estimativas mais conservadoras apontam que cerca de 650 pessoas morreram, mas uma autoridade iraniana ouvida em anonimato pela Reuters na terça-feira falou em 2 mil mortos. O número de brasileiros no Irã equivale a apenas 0,0017% do total de 4,9 milhões de nacionais que residem no exterior. As maiores comunidades estão concentradas nos Estados Unidos, em Portugal, no Paraguai, no Reino Unido e no Japão. Integrantes do governo brasileiro afirmam que o acompanhamento da situação inclui contato direto e frequente com a comunidade brasileira no Irã. Segundo esses interlocutores, a representação diplomática permanece atenta e não recebeu informações sobre nacionais impactados pelos protestos. Avaliam que episódios dessa natureza exigem monitoramento cuidadoso e posicionamento apenas no momento considerado adequado, à luz da evolução dos acontecimentos. Em avaliação reservada, funcionários do governo Lula que acompanham o tema afirmam haver grande dificuldade para obter uma dimensão real da repressão no país, em razão da forte censura interna. Nesse contexto, os dados disponíveis tendem a ser filtrados por um ambiente altamente polarizado, no qual organismos internacionais e organizações não governamentais mantêm posição abertamente crítica ao regime, o que contribui para leituras consideradas enviesadas. Diante desse quadro, a diplomacia brasileira segue adotando uma postura de vigilância discreta, priorizando a segurança dos brasileiros no país, afirmam esses interlocutores, que destacam a necessidade de análise cuidadosa das informações antes de qualquer posicionamento público.