'Incompetente' ou 'corrupto': Trump ataca Powell em meio à investigação do Departamento de Justiça

O presidente Donald Trump voltou a criticar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, a quem classificou como “incompetente” ou “corrupto”, depois que uma investigação do Departamento de Justiça sobre a reforma da sede do banco central americano desencadeou reações negativas em Washington. — Está bilhões de dólares acima do orçamento, então ou é incompetente ou é corrupto — disse Trump a jornalistas nesta terça-feira, ao deixar a Casa Branca a caminho de um discurso em Detroit. — Não sei o que é, mas certamente não faz um trabalho muito bom. A investigação marca uma escalada dos ataques do governo Trump contra o Fed e abre novas dúvidas sobre a independência da instituição. Trump insinuou reiteradas vezes a possibilidade de destituir Powell antes do término de seu mandato como presidente, em maio. Nestes dias, ele avalia quem nomear como seu sucessor. Mas a decisão de abrir uma investigação criminal, tornada pública no fim de semana, provocou forte reação entre senadores republicanos. Essa guinada ameaça descarrilar o eventual indicado do presidente para a próxima liderança do Fed e, com isso, sua tentativa de exercer maior controle sobre o banco central dos EUA. Procurado pela Bloomberg, um porta-voz do Fed se recusou a comentar as declarações de Trump. No domingo, Powell disse que o Departamento de Justiça havia notificado o Fed com intimações decorrentes de uma investigação sobre um projeto de reforma e sobre o testemunho de Powell ao Congresso relacionado a esse tema. O senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte e membro do Comitê Bancário do Senado, comprometeu-se a bloquear todas as nomeações para o Fed até que a questão seja resolvida. Os senadores republicanos Lisa Murkowski e Kevin Cramer também criticaram a medida. Três ex-presidentes do Fed e quatro ex-secretários do Tesouro de governos republicanos e democratas condenaram a investigação em uma declaração conjunta, afirmando que ela “não tem lugar nos Estados Unidos, cuja maior força é o Estado de Direito, que é a base do nosso sucesso econômico”. Trump havia dado sinais de se distanciar da investigação ao dizer à NBC News que não sabia nada sobre as intimações. Ele é um crítico histórico de Powell e tem exigido repetidamente que o Fed reduza as taxas de juros. Também afirmou que não nomeará um novo presidente do banco central se este não se comprometer a cortar as taxas — um teste de lealdade que abala ainda mais os pilares da independência do Fed. Powell, em um comunicado divulgado no domingo, classificou a investigação sobre a reforma como “pretextos” para uma campanha de pressão mais ampla em torno das taxas de juros. “Trata-se de saber se o Fed poderá continuar fixando as taxas de juros com base nas evidências e nas condições econômicas ou se, em vez disso, a política monetária será ditada por pressão política ou intimidação”, afirmou.