Países europeus convocam diplomatas iranianos para questionamentos sobre repressão a protestos em Teerã

Diversos países europeus, entre Finlândia, Dinamarca, Reino Unido, França, Espanha e Alemanha, convocaram representantes do Irã nesta terça-feira, após a violenta repressão aos protestos contra o regime teocrático de Teerã, cujas autoridades ordenaram o corte da internet. "O regime iraniano cortou a internet para poder matar e oprimir em silêncio", declarou a ministra das Relações Exteriores da Finlândia, Elina Valtonen, no X. "Não toleraremos isso", afirmou, acrescentando que convocaria o embaixador iraniano ainda pela manhã. Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca convocou o encarregado de negócios do Irã, já que o embaixador não se encontra no país, "para expressar a condenação do governo ao uso da violência pelo regime iraniano contra os manifestantes". Segundo um comunicado do ministério, o país também foi instado a cumprir suas obrigações internacionais, incluindo os direitos à liberdade de expressão, associação e reunião. "Isso também se aplica à garantia da liberdade e do acesso irrestrito à internet", concluiu o documento. No Reino Unido, a Secretária de Relações Exteriores, Yvette Cooper, também indicou que convocaram o embaixador iraniano "para sublinhar a gravidade deste momento e exigir que o Irã seja responsabilizado pelos relatos horríveis" que o governo britânico recebeu sobre a situação no país. O governo francês também convocou o embaixador iraniano, anunciou o Ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, para denunciar a "violência estatal que foi indiscriminadamente desencadeada contra manifestantes pacíficos". Na Espanha, o Ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que o que seria transmitido ao embaixador "é que o direito dos iranianos ao protesto pacífico e à sua liberdade de expressão devem ser respeitados". Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha anunciou a convocação no X. "A brutal repressão do regime iraniano contra sua própria população é chocante", declarou o ministério. Initial plugin text Milhares de vítimas A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, afirmou que pelo menos 734 pessoas, incluindo nove menores de 18 anos, foram mortas pelas forças de segurança iranianas durante os protestos. Segundo a organização, milhares de manifestantes ficaram feridos e mais de 10.000 pessoas foram presas. Na segunda-feira, o grupo havia alertado que o número real de mortos pode ultrapassar 6.000. "Os números que publicamos são baseados em informações recebidas de menos da metade das províncias do país e de menos de 10% dos hospitais iranianos. O número real de mortos provavelmente chega a milhares", disse Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da ONG.