MARCOS HERMANSON FOLHAPRESS As contas da União fecharam o ano de 2025 com déficit de 0,48% do PIB, antecipou nesta terça-feira (13) o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). "Pelo terceiro ano consecutivo estamos cumprindo a meta de primário", afirmou o petista. "O número é preliminar, mas […] já considerados precatórios [sentenças judiciais], ou seja, o pagamento do calote que o Bolsonaro deu, nós vamos fechar o ano em 0,48% de déficit", afirmou o ministro em conversa com jornalistas. Ao adiantar os dados, Haddad se antecipa ao anúncio oficial do Tesouro Nacional, previsto para o fim do mês. Haddad também afirmou que o déficit será de cerca de 0,17% se desconsiderados os precatórios e de 0,1% se não forem considerados nem os precatórios e nem as exceções fora da meta fiscal autorizadas pela Justiça e pelo Congresso relativas a gastos com indenizações do INSS. Em 2025, a meta fiscal é déficit zero, mas o arcabouço fiscal permite uma banda de tolerância de 0,25% do PIB para mais ou para menos. Além disso, há uma série de exceções à regra incluídas no arcabouço e também em propostas aprovadas pelo Congresso Nacional. "Hoje o que está afetando a dívida pública é mais o juro real do que propriamente o resultado primário", afirmou o ministro. "Penso que nós estamos numa trajetória de melhoria dos resultados primários a cada ano, como está sendo demonstrado." Ele citou as tragédias do Rio Grande do Sul, que exigiram aportes do governo federal, e gastos com precatórios (sentenças judiciais) represados pelo governo Bolsonaro. "Nós estamos falando de R$ 170 [ou] R$ 180 bilhões de déficit. Esse é o déficit real que o presidente Lula herdou, e em dois anos conseguiu reduzir em dois terços." A estratégia do governo tem sido de aumentar receitas via elevação de impostos, mas os críticos à política fiscal do governo cobram medidas de corte efetivo de gastos. O Relatório de Projeções Fiscais, divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Tesouro Nacional, aponta que a retirada das despesas com sentenças judiciais dos limites do arcabouço fiscal contribuiu para elevar as projeções da dívida bruta do país, que pode alcançar 95% do PIB (Produto Interno Bruto) ao fim de uma década caso não haja novas medidas para reforçar a arrecadação nos próximos anos.