Fapepi dobra investimento em bolsas e Piauí atinge nota máxima na Capes

Fundação de Amparo à Pesquisa. Ascom Fapepi O Piauí encerrou o ano de 2025 com o movimento mais expressivo de sua história recente na área de Ciência e Tecnologia. Sob a diretriz de transformar o estado em um polo produtor de conhecimento no Nordeste, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) consolidou um salto de investimentos que já reflete em indicadores de excelência: a conquista da primeira nota 7, o grau máximo de qualidade, em um programa de pós-graduação local na avaliação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). O principal eixo dessa transformação foi o Programa de Apoio à Pós-Graduação Stricto Sensu (PAPG 2025). Com um orçamento de R$ 16,8 milhões, o edital praticamente dobrou os R$ 8,9 milhões investidos no ano anterior. O avanço também foi quantitativo: o número de bolsas ofertadas saltou de 126, em 2024, para 256 em 2025 (216 de mestrado e 40 de doutorado), resultando em um número inédito de 500 bolsas no sistema de pós-graduação do Piauí e favorecendo a melhoria de vários programas de pós. O reflexo mais nítido dessa política de fomento surgiu neste início de 2026. O Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia dos Materiais (PPGCM), da Universidade Federal do Piauí (UFPI), atingiu o conceito 7 na avaliação quadrienal da Capes. É a primeira vez que um programa de pós-graduação piauiense alcança o topo da régua da agência federal. Para a coordenadora do programa, Josy Anteveli, o resultado é um divisor de águas, viabilizado pelo suporte contínuo da Fapepi, que foi decisivo para elevar a qualidade acadêmica e o impacto do curso ao seu patamar atual. “A conquista do conceito 7 pelo PPGCM representa um momento único e histórico, sendo o primeiro programa com esta nota no Estado do Piauí. Esse resultado é fruto de um trabalho coletivo, construído com o empenho de discentes, docentes, técnicos e colaboradores”, afirmou a coordenadora do programa. Anteveli reforçou ainda o papel institucional na manutenção desse padrão de qualidade. “Destacamos, de forma especial, que o apoio da Fapepi tem sido muito importante para a consolidação, o fortalecimento e a excelência acadêmica do Programa, por meio de ações contínuas de fomento à pesquisa”, completou a pesquisadora. O professor e pesquisador, Edson Cavalcanti, por sua vez, recordou a trajetória veloz do programa, que tem apenas 15 anos. “Fomos a primeira nota 5 do estado, a primeira nota 6 e, agora, a primeira nota 7. Chegamos ao topo da pós-graduação no Brasil”, destacou Cavalcanti, ressaltando que o suporte do governo estadual foi essencial para que o Piauí se tornasse destaque em uma análise comparativa nacional. Professor e pesquisador Edson Cavalcanti. Ascom Fapepi A mudança de patamar no financiamento público, em apenas um ano, contribuiu rapidamente para o avanço da produção científica piauiense em 2025. O aporte financeiro investido refletiu diretamente na oferta de oportunidades para pesquisadores e priorizou a formação de alto nível, uma estratégia considerada fundamental para elevar o conceito dos programas locais perante os órgãos reguladores nacionais. Para o presidente da Fapepi, João Xavier, os resultados observados validam a tese que o desenvolvimento econômico piauiense passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento da academia. Segundo o gestor, o aumento no valor dos repasses e no número de beneficiários não é apenas um dado estatístico, mas uma ferramenta para garantir que os pesquisadores formados no estado tenham condições de desenvolver ciência de ponta sem precisar migrar para outros centros. Xavier avalia que o sucesso do PPGCM da UFPI serve como um modelo para outras áreas de engenharia e saúde no Piauí, sinalizando que a parceria entre o governo estadual e as universidades é o caminho para elevar a competitividade da região no cenário científico brasileiro. Próximos passos Com a meta de descentralizar o fomento e fortalecer as instituições estaduais e federais com sede no interior, a Fapepi planeja para 2026 novos editais voltados à inovação tecnológica aplicada ao setor produtivo, na expectativa de converter a nota máxima na Capes em novos pedidos de patentes e soluções para a indústria local.