Quem é Dina Powell McCormick, a nova presidente da Meta ligada a Donald Trump

A Meta anunciou nesta segunda ,12, que nomeou Dina Powell McCormick como presidente executiva e vice-presidente do Conselho de Administração da gigante de tecnologia. Embora Mark Zuckerberg permaneça como CEO e principal nome da companhia, McCormick vai comandar frentes prioritárias do negócio, além de reforçar o alinhamento de interesses entre Meta e o presidente Donald Trump. Meta: empresa quer dobrar produção de óculos com IA após salto nas vendas, dizem fontes Nascida no Egito, McCormick é casada com David McCormick, senador republicano eleito em 2024 que foi subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais durante a administração de George W. Bush. Além disso, ela também foi assessora adjunta de segurança nacional durante o primeiro mandato de Trump. McCormick também trabalhou por 16 anos no Goldman Sachs em papeis de liderança e tem grande conhecimento do mercado financeiro nos EUA. Segundo o comunicado divulgado pela Meta, a executiva conduzirá a estratégia geral da empresa, com foco especial em alcançar a liderança em inteligência artificial (IA). "A experiência de Dina nos níveis mais altos das finanças globais, combinada com seus profundos relacionamentos ao redor do mundo, a torna especialmente indicada para ajudar a Meta a gerenciar esta próxima etapa de crescimento”, afirmou Zuckerberg no documento. De fato, a Meta tenta reencontrar novo fôlego no setor após derrapar em 2025. O seu principal grande modelo de linguagem (LLM), o Llama 4, não conseguiu acompanhar os avanços e a popularidade do GPT-5, da OpenAI, e do Gemini 3, do Google. Os resultados forçaram a companhia a reestruturar sua divisão de IA, trocando a liderança do pesquisador Yann LeCun, um dos nomes mais importantes da história do setor, pelo jovem Alexandr Wang, fundador da startup Scale AI, comprada pela Meta em outubro de 2025 por US$ 14,3 bilhões. Em seu novo cargo, McCormick terá como missão facilitar a implementação global dos data centers da Meta. Em novembro, a empresa se comprometeu a investir US$ 600 bilhões até 2028 na construção de infraestrutura de centros de dados — a companhia anunciou na semana passada três parcerias para investimentos em energia nuclear para alimentar data centers nos EUA. Parte da missão da executiva é garantir os recursos necessários para a Meta implementar seus planos de infraestrutura global. O investimento em data centers se tornou uma das principais bandeiras do governo Trump para simbolizar avanço econômico e tecnológico — atualmente, existem cerca de 4 mil data centers em território americano, segundo o site Data Center Map. A consultoria Omdia afirma que o investimento global no setor pode chegar a US$ 1,6 trilhão até 2030. No ano passado, OpenAI, SoftBank e Oracle anunciaram o projeto Stargate, que promete investimento de até US$ 500 bilhões para data centers. No entanto, o avanço dos data centers vem encontrando resistência popular e regulatório em diferentes países, como México e Irlanda. McCormick também deverá trabalhar junto a governos para garantir não apenas o avanço dos novos data centers, como também obter leis mais brandas relacionadas à IA em todo o mundo. Esse é um outro ponto de convergência entre Trump e a Meta. Na estratégia de IA dos EUA, divulgada por Trump em julho de 2025, o governo republicano afirmava que o "sistema de licenciamento ambiental da América e outras regulamentações tornam quase impossível construir esta infraestrutura nos Estados Unidos com a velocidade necessária”. O plano abre exceções para que leis ambientais sejam dribladas na liberação de obras para data centers. Além disso, em dezembro, o republicano assinou uma lei para revogar legislações estaduais de IA, o que vinha incomodando as big techs em locais com projetos de lei mais rígidos, como a Califórnia. A escolha por McCormick rendeu elogios de Trump, que escreveu na Truth Social: “Uma ótima escolha de Mark Z!!! Ela é uma pessoa fantástica e muito talentosa, que serviu a Administração Trump com força e distinção!” Movimentos que agradaram Trump Esse não é o primeiro movimento de Zuckerberg que agrada Trump, que em 2024 chegou a afirmar que colocaria o fundador da Meta em uma prisão pelo "resto de sua vida". No começo de 2025, a Meta nomeou Dana White, aliado de longa data de Trump e presidente do Ultimate Fighting Championship, para integrar seu conselho de administração. A empresa também colocou Joel Kaplan, lobista do partido republicano, no comando da área de políticas públicas, em substituição de Nick Clegg. Em 2025, a Meta também reduziu drasticamente o checagem de informações nos EUA e eliminou programas de diversidade e inclusão dos funcionários. Os dois movimentos agradaram a administração Trump.