Cinco presos famosos deixam Tremembé; transferências fazem parte de movimento para diluir fama do presídio

Entre os meses de novembro e dezembro do ano passado, cinco presos envolvidos em crimes de grande repercussão nacional foram transferidos da Penitenciária II de Tremembé. Segundo antecipado pelo blog do GLOBO “True Crime”, a intenção do movimento silencioso é diluir a fama do “presídio dos famosos”, que ganhou força após o sucesso da série que leva o mesmo nome da unidade prisional, no Prime Video, que dramatizou alguns casos. 'Presídio dos famosos': transferências de Robinho e Brennand ampliam movimento silencioso para diluir a fama de Tremembé True Crime: Incomodado com 'fofocas' em Tremembé, Robinho pede à Justiça para ser transferido de presídio Entre os transferidos estão Robinho, Thiago Brennand, Ronnie Lessa, Fernando Sastre de Andrade Filho e Walter Delgatti Neto. Alguns deles deixaram a penitenciária, que não estava superlotada, para ir para unidades com ocupação acima do limite de capacidade. Em sua maioria, os pedidos foram feitos pelos próprios detentos. Condenado a nove anos de prisão por estupro, o ex-jogador Robson de Souza, o Robinho, foi transferido da Penitenciária II Dr. José Augusto César Salgado para o Centro de Ressocialização de Limeira em 18 de novembro, após pedido dele por meio de um requerimento apresentado por seu advogado. Segundo o blog “True Crime”, ele se queixava de excesso de atenção, fofocas e convivência forçada com presos célebres. No caso de Thiago Brennand, também condenado por estupro, a transferência para a Penitenciária I de Guarulhos, destinada a criminosos sexuais, ocorreu em 12 de novembro do ano passado. A motivação também partiu dele pelas mesmas alegações que Robinho. Ele estava em Tremembé desde julho de 2024. Já a transferência do assassino confesso da vereadora Marielle Franco, o ex-policial militar Ronnie Lessa, ocorreu em 22 de novembro, após quatro pedidos apresentados por sua defesa. De acordo com o blog do GLOBO “Segredos do Crime”, o que motivou o pleito foi o medo de que ele fosse envenenado dentro da unidade prisional após a delação premiada firmada por Lessa, que apontou os supostos mandantes do homicídio da parlamentar e também vitimou o motorista Anderson Gomes. Réu por assassinato, o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi transferido de Tremembé para a Penitenciária II de Potim em 18 de dezembro. Em março de 2024, ele dirigia um Porsche 911 muito acima do limite de velocidade quando colidiu na traseira de um Renault Sandero e causou a morte de Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos. No caso de Walter Delgatti Neto, conhecido como hacker de Araraquara, condenado por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos, ele também foi transferido para a Penitenciária II de Potim. A mudança ocorreu em dezembro, por determinação da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Em 12 de janeiro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a progressão para o regime semiaberto. A fama A Penitenciária II ganhou fama como o “presídio dos famosos” por concentrar detentos de grande repercussão pública. Por suas celas já passaram os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, condenados pelo assassinato dos pais de Suzane von Richthofen, e Alexandre Nardoni, condenado pela morte da filha Isabella. Ainda estão na unidade Roger Abdelmassih, ex-médico condenado por dezenas de estupros, e Lindemberg Alves Fernandes, condenado pelo sequestro e assassinato da ex-namorada Eloá Pimentel. Em nota enviada ao GLOBO, a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo (SAP) afirma que a unidade prisional opera dentro dos padrões de segurança e disciplina. Ainda destacam que as movimentações dos custodiados são realizadas "conforme planejamento e protocolos internos que, por razões de segurança, não serão detalhados". Já o Núcleo Especializado de Situação Carcerária (NESC) da Defensoria Pública do Estado de São Paulo afirma não ter recebido casos relacionados a Tremembé que "demandem atuação específica". Além disso, pontuam que observam uma "mudança geral" no perfil de unidades prisionais do Estado, que tem "gerado grandes transferências entre estabelecimentos".