Lula conversa com primeiro-ministro de Portugal sobre aprovação do acordo Mercosul-UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou por telefone com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro nesta terça-feira. De acordo com comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto, Montenegro telefonou a Lula. Os dois celebraram a aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) pelas instituições da UE e assinatura programada para o dia 17 de janeiro em Assunção, no Paraguai. "O primeiro-ministro cumprimentou o presidente Lula por seu empenho em prol da conclusão do acordo", diz o documento. A diplomacia brasileira atuou para tentar convencer países europeus, em especial a Itália, a aderir ao acordo ainda em dezembro, a tempo de o texto ser assinado em dezembro, enquanto o Brasil ocupava a presidência do Mercosul. A primeira-ministra italiana, porém, pediu mais prazo e a votação foi adiada para janeiro, quando o Paraguai assumiu a presidência do bloco sul-americano. A posição italiana era considerada crucial porque, para serem aprovadas, as deliberações do Conselho Europeu exigem simultaneamente os votos favoráveis de ao menos 15 dos 27 estados-membros da UE e de países que, somados, representem pelo menos 65% da população do bloco. Como França e Polônia se opunham ao acordo, era necessário obter o apoio de países populosos. O governo de Portugal também apoiou o acordo comercial, em especial devido à perspectiva de que produtos como vinhos portugueses tenham acesso mais facilitado ao mercado brasileiro. "Ambos (Lula e Montenegro) coincidiram que a decisão dos dois blocos é um gesto muito importante de defesa do multilateralismo e do livre comércio, com grande dimensão política e estratégica neste momento histórico. Concordaram em trabalhar conjuntamente, de forma rápida e eficiente, para a implementação do acordo a fim de que as populações possam ver resultados concretos da parceria firmada", diz o comunicado do Palácio do Planalto. Lula e o primeiro-ministro português também "trocaram impressões sobre a situação na Venezuela e coincidiram ser fundamental evitar um cenário de instabilidade na América do Sul", conclui o texto.