Os três integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) presos nesta terça-feira (13) por participação no assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, morto em setembro de 2025 na Praia Grande, teriam sido os responsáveis por planejar a dinâmica do crime, segundo a polícia. Eles também já foram presos no passado pelo próprio Fontes, por roubo a banco. — São assaltantes de banco presos pelo Ruy em 2005, quando ele atuava fortemente contra o crime organizado — afirmou Osvaldo Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública de São Paulo, durante coletiva de imprensa na tarde desta terça. A Polícia Civil cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão relacionados ao crime. Duas pessoas seguem foragidas. Os presos foram Fernando Gonçalves dos Santos, conhecido como Azul, detido em Jundiaí, no interior paulista; Marcio Serapião de Oliveira, chamado de Velhote, preso em Interlagos, na Zona Sul da cidade de São Paulo; e Manoel Ribeiro Teixeira, o Manoelzinho, preso em Mongaguá, no litoral sul. Todos os três são membros do PCC e eram da chamada sintonia restrita da facção, setor encarregado de cometer atentados contra policiais, autoridades do Judiciário, do Ministério Público e do sistema penitenciário, além de planejar resgates. O trio se reuniu em março, em Mongaguá, para planejar o ataque contra Ruy Ferraz, de acordo com os investigadores. — Nós temos já comprovado por pessoas e imagens é que houve uma reunião entre os três que foram presos hoje em Mongaguá, muito próximo da casa da mãe de um deles. Tínhamos já esses nomes em dezembro. Mas tínhamos que agir ao mesmo tempo para que isso não vazasse — disse a diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, Ivalda Aleixo. Denúncia do MP Em novembro, o MP-SP denunciou oito pessoas pelo envolvimento no crime. Segundo a denúncia, a execução do ex-delegado-geral foi encomendada pela “sintonia geral” do PCC, a cúpula da organização criminosa, em resposta à sua atuação de 40 anos na instituição contra a facção. O ex-delegado ingressou na Polícia Civil no início dos anos 1980 e trabalhou por 40 anos em unidades estratégicas, como Denarc, Dope e Deic. No início dos anos 2000, passou a divulgar organogramas da estrutura do PCC e liderou, em 2006, o indiciamento da cúpula da facção, incluindo Marcos Camacho, o Marcola. A "sintonia geral" determinou a morte de Ruy Ferraz Fontes ao menos desde 2019. Um relatório policial citado na denúncia revela uma carta manuscrita apreendida naquele ano, na qual a liderança da facção "cobra a morte de alguns agentes públicos, dentre eles o doutor Ruy Ferraz Fontes". Os denunciados pelo crime são: Felipe Avelino da Silva (Mascherano) - furtou o Jeep Renegade usado na ação, escondeu o carro e instalou placas falsas; preso. Flávio Henrique Ferreira de Souza - ligado ao roubo do Jeep Renegade furtado junto com Felipe; está foragido. Luiz Antonio Rodrigues de Miranda - participou do planejamento, usou imóveis de apoio e ajudou a esconder armas após o crime. Está foragido. Dahesly Oliveira Pires - transportou e guardou fuzil, carregadores e munições no dia seguinte ao crime; solta pela Justiça. Willian Silva Marques - cedeu sua casa em Praia Grande como esconderijo e depósito de armas; preso. Paulo Henrique Caetano de Sales - participou da logística e esteve em imóveis usados como base; preso. Cristiano Alves da Silva - atuou na execução e na logística; possui antecedentes por roubo e receptação, preso. Marcos Augusto Rodrigues Cardoso (Fiel/Penélope) - apontado como recrutador e organizador do grupo. Integrante do PCC em posição de “disciplina” no Grajaú, com ascendência sobre os demais; preso.