Em um momento de descontração na reunião realizada entre o Banco Central e o Tribunal de Contas da União (TCU) nessa segunda-feira sobre a crise em torno do Banco Master, o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, brincou que sentia saudade de quando era criticado pelos juros altos. Apesar do apoio inicial que teve ao subir a taxa Selic para 15%, a diretoria colegiada do BC passou a ser crescentemente criticada pelo governo e pelo PT à medida que esse nível foi sendo mantido. Os ataques contra os juros altos perderam espaço no noticiário em meio à crise institucional gerada pelas ações do TCU e do STF no caso Master desde dezembro. O encontro de ontem realizado na sede do BC teve por objetivo alinhar os ponteiros e estabelecer os parâmetros para a inspeção do TCU nos documentos que embasaram a decisão do BC de liquidar a instituição de Daniel Vorcaro. O alcance dessa análise in loco dos técnicos da Corte de Contes, porém, ainda seria definido. Além de Galípolo e o diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, a reunião contou com outros diretores e técnicos da autoridade monetária, de um lado, e de outro, do presidente do TCU, Vital do Rêgo, e do relator do tema, ministro Jhonatan de Jesus, além de técnicos de diversas áreas da Corte de Contas. Há interpretações diferentes sobre qual seria o limite de acesso pela AudBancos aos dados sigilosos, diante do cuidado para que não se crie situações que permitam os chamados “erros materiais” que possam levar a problemas para os servidores do BC ou subsidiar pedidos de indenização contra a União para os sócios do banco liquidado.