O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ajuda ao povo iraniano “está a caminho” e incentivou a continuidade dos protestos no país contra o regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. A declaração foi feita durante discurso nesta terça-feira, 13, no qual Trump mencionou diretamente a situação interna do Irã. Ao se dirigir à população, o presidente declarou: “A todos os patriotas iranianos, continuem protestando, tomem suas instituições se possível e salvem os nomes dos assassinos e abusadores que estão abusando de vocês”. Segundo Trump, há relatos divergentes sobre o número de mortos durante as manifestações, mas ele afirmou que “uma morte já é demais”. + Leia mais notícias do Mundo em Oeste Trump disse ainda que determinou o cancelamento de todas as reuniões com autoridades iranianas “até que a morte sem sentido de manifestantes pare”. Em seguida, reforçou a mensagem direta ao país: “Tudo o que eu digo a eles é: a ajuda está a caminho”. O presidente também mencionou medidas econômicas contra o Irã. De acordo com ele, tarifas passaram a valer contra “qualquer um que faça negócios com o Irã”, com entrada em vigor no mesmo dia do discurso. Trump acrescentou que defende a recuperação do país sob outro regime, ao afirmar: “Façam o Irã grande novamente”. https://www.youtube.com/watch?v=lGTJgtL_QYw No mesmo pronunciamento, Trump relacionou a política de tarifas à pressão internacional sobre o governo iraniano. Segundo ele, as sanções econômicas fazem parte de uma estratégia mais ampla para forçar mudanças internas e conter a repressão aos protestos. O presidente descreveu o Irã como um país que “era grande até que esses monstros chegaram e tomaram o poder” e classificou a situação atual como “muito frágil”. Ainda segundo Trump, o apoio aos manifestantes faz parte de um esforço para responsabilizar autoridades iranianas por abusos, ao afirmar que os nomes dos responsáveis devem ser preservados porque “eles vão pagar um preço muito alto”. Trump lembra bombardeios de junho de 2025 Durante o discurso, Trump relembrou ações militares realizadas contra o país no ano passado. Segundo ele, os EUA “obliteraram” as capacidades de enriquecimento nuclear do Irã, em referência direta a ataques aéreos conduzidos em 2025 contra instalações ligadas ao programa nuclear iraniano. Esses ataques ocorreram em 21 de junho daquele ano. Na ocasião, aeronaves norte-americanas atingiram três locais associados ao programa nuclear do Irã: Fordow, Natanz e Esfahan. Trump elogiou as Forças Armadas dos EUA ao declarar que “não há outro exército no mundo que poderia ter feito isso”. Essas instalações são conhecidas por abrigar estruturas do programa nuclear iraniano, que envolve o enriquecimento de urânio — processo que pode ter uso civil, como geração de energia, ou militar — e, por isso, são monitoradas há anos por agências internacionais. Protestos se espalham pelo Irã O discurso de Trump ocorre no 16º dia de protestos contra a ditadura do aiatolá Ali Khamenei e o aumento da repressão estatal. Inicialmente motivado por críticas ao aumento do custo de vida, o movimento passou a incorporar pedidos diretos pelo fim do regime que governa o país. A organização Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, informou que ao menos 648 mortes de manifestantes já foram confirmadas desde o começo da onda de protestos. A própria ONG, contudo, ressalta que o número real pode ser significativamente maior, com estimativas acima mais de 6 mil mortos , diante das dificuldades de verificação impostas pelo governo. Apesar das restrições à internet adotadas pelo regime, circulam pelas redes sociais imagens de grandes multidões, incêndios em prédios públicos e corpos de vítimas próximos a hospitais, o que indica a dimensão da crise. Segundo a IHR, há relatos frequentes de espancamentos, execuções e detenções arbitrárias em várias cidades. Estimativas contabilizam cerca de 10 mil pessoas presas desde o começo das manifestações. Manifestantes se reúnem enquanto veículos queimam, em meio à crescente onda de protestos antigovernamentais em Teerã, capital do Irã — 9/1/2026 | Foto: Reprodução/Redes sociais/Via Reuters A repressão ganhou contornos ainda mais duros no último sábado, 10, quando o procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi-Azad, declarou que todos os manifestantes envolvidos nos protestos atuais são considerados “mohareb”, termo jurídico usado pelo regime para classificar “inimigos de Deus”. Pela legislação iraniana, essa acusação pode levar à pena de morte. O Irã vive uma das maiores ondas de contestação desde a implantação da República Islâmica, em 1979. Governado há décadas por um regime teocrático, o país é comandado por um líder supremo, cargo ocupado desde 1989 por Ali Khamenei, sucessor de Ruhollah Khomeini. Desde a revolução islâmica , o Estado iraniano adotou uma estrutura baseada na interpretação religiosa do grupo no poder, com restrições severas a direitos civis e políticos e repressão sistemática a opositores, cenário que se repete na atual crise. Leia também: “Israel surrou o grandão arrogante” , reportagem de Augusto Nunes e Eugenio Goussinsky publicada na Edição 274 da Revista Oeste O post Trump reforça apoio a manifestantes no Irã: ‘Ajuda está a caminho’ apareceu primeiro em Revista Oeste .