Francine Carvalho transforma o Carnaval em projeto de vida e desfila com fantasia que custa mais que carro zero

Amadas, senta que essa história não é sobre biquíni com pluma colada de última hora. Francine Carvalho, musa da Gaviões da Fiel e rainha de bateria da X-9 Paulistana, resolveu tratar o Carnaval como gente grande. Nada de improviso, nada de fantasia genérica. Aqui é planejamento, dinheiro, obsessão e cabeça funcionando em modo desfile o ano inteiro. Enquanto muita gente ainda acha que ser musa é dieta, treino e sorriso congelado, Francine joga esse clichê no chão da avenida. A preparação dela virou um projeto de vida mesmo. Daqueles que começam meses antes, atravessam o ano e só terminam depois que o último tamborim cala. Fotos: Leco Pires / Divulgação O choque começa no investimento. As fantasias de 2026 já passaram fácil do valor de um carro zero. Mais de R$ 80 mil em looks que não servem só para brilhar, mas para contar história. Estrutura leve, cristais, engenharia pensada para movimento, teste de luz, reação à chuva, conforto e impacto visual. Nada ali é só bonito. Tudo tem intenção. Francine não quer só aparecer. Quer existir no enredo. Ela veste personagem, ideia, narrativa. O figurino funciona quase como roteiro visual. Cada peça conversa com o samba, com a escola, com o corpo em movimento. Se não dança junto, não entra. Fotos: Leco Pires / Divulgação E aqui entra o detalhe que separa musa de figurante de Instagram. Ela é obcecada por movimento. Quer saber como a fantasia reage ao giro, ao peso do samba no pé, ao impacto da bateria. Não basta ficar linda parada. Precisa funcionar andando, girando, suando e enfrentando avenida lotada. Fotos: Leco Pires / Divulgação Fora do Sambódromo, a disciplina continua. Francine leva para o Carnaval a mesma lógica que aplica nos negócios. Treino de resistência, aula de samba, acompanhamento nutricional, procedimentos estéticos de alta tecnologia e, principalmente, convivência com a comunidade. Ela ensaia sozinha, ensaia com a escola, escuta ritmista, ajusta energia, observa evolução. Fotos: Leco Pires / Divulgação Nada começa do nada. O Carnaval dela nasce no primeiro ensaio vazio, na primeira conversa com quem constrói a escola o ano inteiro, no primeiro rascunho de fantasia. Não existe botão de ligar preparação. O processo já está ligado o tempo todo. O que Francine faz incomoda porque desmonta a fantasia de que Carnaval é só festa descompromissada. Para ela, é ritual, trabalho, investimento e identidade. O corpo vira ferramenta. A fantasia vira linguagem. A avenida vira palco de algo pensado com antecedência e seriedade. Fotos: Leco Pires / Divulgação No meio de tanta produção rasa, Francine escolhe o caminho mais difícil. Dar significado ao brilho. E transformar o Carnaval em algo que não começa nem termina no desfile. Isso não é pose. É projeto de vida com pluma, cristal e muito suor. E sim, meus amores, quando entra na avenida desse jeito, dá para ver. Fotos: Leco Pires / Divulgação