Quando o então senador Cristovam Buarque propôs projeto de lei que permitia a redução da pena de presidiários que fizessem estudos e leituras, encontrou forte resistência em alas mais conservadoras do Congresso. Estava presente à sessão de votação, entre outros, o então deputado Jair Bolsonaro, que não gostava nada da emenda. Não é para menos. O projeto, que virou a Lei 12.433, de 2011, permitia aos condenados, tanto em regime fechado quanto semiaberto, reduzir parte do tempo de execução da pena. A contagem desse tempo se daria por um dia de pena a cada 12 horas de frequência escolar — atividade de ensino fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou ainda de requalificação profissional — divididas, no mínimo, em três dias; e também por um dia de pena a cada três dias de trabalho, como leituras. Por ironia, adversários políticos de Cristovam estiveram entre os mais notórios beneficiários da medida. O primeiro foi o empresário Luiz Estevão, que se elegeu senador fazendo oposição ao então governador Cristovam. Fica o registro de que, pelo que soube o próprio Cristovam, os cadernos de registro de leitura feitos por Estevão se tornaram modelos, pela qualidade do texto e pela primorosa ortografia do empresário. Também se beneficiou da leitura o ex-ministro José Dirceu, pego no Mensalão e no Petrolão, e que chegou a ser apontado como o principal responsável pela demissão de Cristovam do Ministério da Educação do primeiro governo Lula. Agora, pelo que se sabe, Jair Bolsonaro pretende se valer do mesmo recurso para reduzir seu tempo no regime fechado imposto pelo ministro Alexandre de Moraes.