Sem opções de nomes que pudessem dar peso político a um ministério que deve estar nos holofotes durante o ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou optando por um “cumpridor de missões” para comandar a pasta da Justiça e Segurança Pública. Diferentes auxiliares do petista reconhecem que Wellington Cesar Lima e Silva não é um quadro do primeiro time, já talhado em funções sujeitas à exposição pública, cobrança e embates políticos. Chega ao ministério em uma condição muito diferente da de nomes que já ocuparam a pasta com Lula na Presidência. No primeiro mandato (2003-2006), o petista escalou o criminalista Márcio Thomaz Bastos, um dos principais advogados da história do país, para o cargo. No segundo, optou por Tarso Genro, que já tinha passado por outros ministérios e sido prefeito de Porto Alegre. Agora, neste terceiro mandato, Lula começou com o ex-governador do Maranhão Flávio Dino e depois escolheu o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski para comandar a Justiça e a Segurança Pública. O novo ministro tem como principal trunfo a relação de confiança que construiu com Lula. Apadrinhado inicialmente pelo líder no Senado, Jaques Wagner (PT-SP), Wellington chegou ao Planalto, em janeiro de 2023, como secretário de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil, um posto nevrálgico responsável por cuidar das portarias, decretos e leis publicados pelo governo. Com despachos quase diários, aproximou-se do presidente. Em meados de 2024, quando a Petrobras, estatal que é a menina dos olhos de Lula, enfrentava uma crise por causa da gestão mal avaliada de Jean Paul Prates, o presidente escalou Wellington para ser o fiel escudeiro da nova presidente Magda Chambriard e aparar arestas jurídicas que pudessem surgir na empresa. Foi bem-sucedido na missão, segundo a avaliação do presidente, a ponto de ser citado até como opção para o Supremo Tribunal Federal (STF), quando Luís Roberto Barroso se aposentou, em outubro. Diante do retrospecto de missões cumpridas e sem outras opções, já que o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) se antecipou e descartou qualquer possibilidade de ingressar no governo assim que as primeiras notícias citaram o seu nome como opção para o Ministério da Justiça, o presidente se viu obrigado a fazer “uma aposta” no chefe do jurídico da Petrobras. O novo ministro terá agora que mostrar estar capacitado também para essa nova missão. A lista de desafios é grande: articular as aprovações da PEC da Segurança Pública e do projeto antificção no Congresso, enfrentar as críticas da oposição e formular, enfim, um discurso de combate à criminalidade que possa ser usado por Lula na disputa pela reeleição.